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Avaliação neurológica em gatos

PorThomas Schubert, DVM, DACVIM, DABVP, Small Animal Clinical Sciences, College of Veterinary Medicine, University of Florida
Revisado/Corrigido ago. 2018 | Modificado set. 2024
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A avaliação do sistema nervoso começa com uma anamnese precisa e um exame físico geral, seguidos por um exame neurológico. Existem diversos testes físicos que podem ser realizados para avaliar o funcionamento dos vários componentes do sistema nervoso. Estes incluem testes de vários reflexos, função e controle muscular, postura e marcha.

Muitas vezes, são necessários exames laboratoriais para diagnosticar o problema específico. Exames diagnósticos comuns incluem exames de sangue, urinálise, análise do líquido cefalorraquidiano, radiografia, TC, RM e avaliação da atividade elétrica do cérebro, nervos periféricos e músculos.

Exame neurológico

Um exame neurológico avalia: 1) a cabeça (nervos cranianos), 2) a marcha ou caminhar, 3) o pescoço e as patas dianteiras e 4) o tronco, as patas traseiras, o ânus e a cauda. Os reflexos do seu gato também serão testados para determinar, se possível, a localização da lesão no cérebro, na medula espinhal ou nos nervos do sistema nervoso periférico.

Avaliação da mentação

A qualidade e o nível de consciência do seu gato (alerta, atento e responsivo; calmo, mas alerta e responsivo; obtundido; estuporoso ou comatoso) serão avaliados.

Avaliação dos nervos cranianos

Os 12 pares de nervos cranianos se estendem de segmentos específicos do tronco cerebral para os lados esquerdo e direito da cabeça. Eles incluem os nervos que transmitem o olfato, os responsáveis pela visão e pelo movimento dos olhos, os que controlam os movimentos faciais, os responsáveis pela audição e equilíbrio e os responsáveis pela mastigação, deglutição, vocalização e movimento da língua (consulte a tabela Nervos cranianos, abaixo). Testes nos reflexos desses nervos podem ajudar a identificar o local da lesão. O seu veterinário realizará testes específicos destinados a identificar quaisquer sinais de disfunção nesses nervos.

Tabela
Tabela

Uma avaliação dos nervos cranianos testa a atividade mental, a postura e a coordenação da cabeça e os reflexos na cabeça. Os sinais identificados durante essa avaliação indicam uma lesão ou doença no cérebro. Os sinais de danos no cérebro e no tronco cerebral podem incluir deterioração mental, andar repetitivo de um lado para o outro, convulsões, depressão, coma ou virar a cabeça ou girar em uma direção. Inclinar ou balançar a cabeça, tremores ou outros movimentos incomuns da cabeça podem indicar danos no cerebelo.

Avaliação da marcha (caminhar)

O seu veterinário avaliará a marcha observando o seu gato enquanto ele caminha, corre, vira, dá passos para o lado e recua. Sinais de disfunção incluem andar em círculos, fraqueza ou paralisia completa de um ou mais membros, queda, tropeço, rolamento ou falta de coordenação.

Avaliação do pescoço e das pernas dianteiras

A avaliação do pescoço e das patas dianteiras incluirá a procura de evidências de dor e perda de tamanho ou tônus muscular, o que pode indicar uma lesão na medula espinhal superior. Diversos tipos de exames são realizados para detectar lesões leves na medula espinhal.

Os reflexos espinhais, as reações posturais e a propriocepção consciente, a condição muscular e a capacidade de sentir o toque e a dor também são avaliados.

Avaliação do tronco, membros posteriores, ânus e cauda

O tronco, ou torso, é avaliado observando-se a postura ou posição anormal das vértebras, dor, perda de sensibilidade ou hipersensibilidade a um toque leve ou à picada com objeto pontiagudo e perda de massa muscular. Alguns testes usados para avaliar os nervos do pescoço e das patas dianteiras (ver acima) também são usados para avaliar o tronco e os membros posteriores. Vários reflexos também podem ser avaliados. A perda de massa muscular ao redor do tronco ou dos membros posteriores pode indicar danos a um nervo associado a esse músculo.

Exames laboratoriais e de imagem

Exames de sangue costumam ser utilizados para detectar distúrbios metabólicos, alguns dos quais podem afetar a atividade do sistema nervoso. Os exames de sangue também podem identificar outros quadros clínicos, incluindo intoxicação por chumbo, certas infecções e miastenia grave, uma doença autoimune na qual as conexões entre os nervos e os músculos são bloqueadas, resultando em fraqueza. Também podem ser necessárias biópsias de músculos, nervos e cérebro.

A análise do líquido cefalorraquidiano (líquido que circunda o cérebro e a medula espinhal) pode ser útil no diagnóstico de distúrbios do sistema nervoso central. O líquido cefalorraquidiano é coletado da base do crânio ou da região lombar em um procedimento chamado punção do líquido cefalorraquidiano. Uma quantidade anormalmente elevada de proteínas no líquido cefalorraquidiano pode indicar encefalite (inflamação do cérebro), meningite (inflamação da membrana que recobre o cérebro), câncer ou uma lesão compressiva da medula espinhal. O aumento do número de células brancas do sangue no líquido cefalorraquidiano indica uma inflamação ou infecção. Outros distúrbios que podem ser identificados pela análise do líquido cefalorraquidiano incluem infecções bacterianas ou fúngicas, hemorragia interna, abscessos cerebrais e alguns tipos de tumores. O líquido cefalorraquidiano também pode ser testado para detectar a presença de doenças infecciosas.

Vários tipos diferentes de exames radiográficos podem ser usados para detectar distúrbios do sistema nervoso. Radiografias simples do crânio e da coluna vertebral podem detectar fraturas, desalinhamento (subluxação) das vértebras, infecções ou câncer ósseo. No entanto, na maioria das infecções ou cânceres do cérebro e da medula espinhal, as radiografias simples parecem normais. Em um procedimento conhecido como mielografia, um corante líquido especial é injetado no canal cerebroespinhal. O corante destaca tipos específicos de problemas na coluna vertebral, como hérnias de disco (discos “deslocados”) e tumores na medula espinhal. A TC e a RM também podem ajudar a avaliar alterações na estrutura óssea, hemorragias internas, abscessos, inflamações e certos tipos de câncer no sistema nervoso.

Outros exames podem ser usados em alguns casos. Um eletroencefalograma (EEG) registra a atividade elétrica do cérebro. Os resultados são anormais em casos de meningite ou encefalite, traumatismos cranianos e tumores cerebrais. O eletroencefalograma pode ajudar a determinar a causa e a gravidade de uma convulsão. Um eletromiograma (EMG) registra a atividade elétrica nos músculos. Nesse teste, um nervo é estimulado eletricamente, e a velocidade da condução ao longo dos neurônios é calculada. Essa técnica pode detectar lesões nervosas e miastenia grave. Uma resposta auditiva evocada do tronco cerebral (BAER) registra a atividade elétrica na via que vai dos receptores sonoros no ouvido até o tronco cerebral e o cérebro. Em casos de surdez causada por dano nos nervos, o BAER não gera resposta. Distúrbios do tronco cerebral também podem alterar a BAER.

Para obter mais informações

Consulte também o conteúdo profissional sobre a avaliação neurológica.