A nocardiose é uma doença de evolução prolongada e não contagiosa, causada por bactérias do gênero Nocardia. Essas bactérias são comumente encontradas no solo, em vegetação em decomposição, em compostagem e em outras fontes ambientais. Elas penetram no organismo pela pele após lesões (como mordidas de cães ou migração de material vegetal), pela contaminação de feridas ou, mais raramente, por inalação. A nocardiose é mais provável em cães com doenças subjacentes que suprimem o sistema imunológico, por exemplo, cães infectados pelo vírus da cinomose. A doença pode ocorrer em qualquer idade e em ambos os sexos, embora pareça afetar principalmente machos, especialmente aqueles com idade entre 1 e 2 anos.
A nocardiose em cães causa, na maioria das vezes, infecções na pele, no sistema linfático e no tórax. Também pode se disseminar por todo o corpo e causar infecções em vários órgãos internos. Diminuição do apetite, febre, letargia e perda de peso são sinais inespecíficos comuns, associados a todos os locais de infecção. As infecções em cães são frequentemente localizadas, com lesões sob a pele, micetomas (infecções da pele e dos tecidos subjacentes com aspecto de nódulos ou tumores) e inflamação de um ou mais linfonodos. Pode haver inchaço e inflamação das gengivas ao redor dos dentes, bem como úlceras na cavidade oral, acompanhadas de halitose intensa. A nocardiose que acomete a região torácica frequentemente envolve inflamação supurativa da cavidade torácica ou abdominal, ou infecção pulmonar. O coração, fígado, rins, baço, olhos, ossos, articulações, trato urinário e cérebro também podem ser afetados. Ocasionalmente, cães jovens apresentam uma forma da doença que se inicia no trato respiratório inferior após a inalação do microrganismo, disseminando-se subsequentemente por todo o corpo.
Culturas bacterianas são utilizadas para diagnosticar a nocardiose. Outros exames complementares, como radiografias, também podem ser necessários, dependendo da região do corpo afetada. O veterinário irá prescrever antibióticos com base na identificação das bactérias. As infecções por Nocardia são resistentes a alguns tipos de antibióticos. O tratamento deve ser continuado por 1 a 6 meses. A cirurgia para remover o tecido infectado também pode ser apropriada. Quaisquer doenças subjacentes também precisam ser tratadas. É importante continuar o tratamento conforme orientado, a fim de oferecer ao animal a melhor possibilidade de recuperação. O prognóstico é reservado devido ao longo tempo de tratamento e à probabilidade de recidiva.
A nocardiose pode ocorrer em seres humanos, especialmente naqueles com disfunção do sistema imunológico ou com doenças debilitantes. Indivíduos em risco devem adotar precauções quanto ao contato com o solo em áreas utilizadas por animais, à contaminação de feridas cutâneas ou ao contato próximo com animais suspeitos de nocardiose.
Consulte também o conteúdo profissional referente à nocardiose.