VERSÃO PARA DONOS DE ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO

Hiperpigmentação (acantose nigricans) em cães

PorKaren A. Moriello, DVM, DACVD, Department of Medical Sciences, School of Veterinary Medicine, University of Wisconsin-Madison
Revisado/Corrigido jun. 2018 | Modificado set. 2024
v3207239_pt

A hiperpigmentação é um escurecimento e o espessamento da pele observados em cães. Não é uma doença específica, mas uma reação do corpo do cão a determinadas condições.

A hiperpigmentação manifesta-se como áreas de pele espessa, frequentemente sem pelos, de coloração castanho-claro a preta, com textura aveludada e aspecto áspero. Os locais comuns são as pernas e área da virilha. Pode ser primária ou secundária. As doenças primárias que causam hiperpigmentação podem ocorrer em todas as raças, mas especialmente em dachshunds. Os sinais geralmente são evidentes por volta de 1 ano de idade. A hiperpigmentação secundária é relativamente comum e pode ocorrer em todas as raças de cães, sendo mais frequente em raças propensas à obesidade, alterações hormonais, alergias, dermatite de contato e infecções de pele. A hiperpigmentação secundária é desencadeada por inflamação e/ou atrito. A inflamação leva a outras alterações na pele, como espessamento da pele, perda de pelos, odor e dor.

As margens das áreas inflamadas costumam ficar vermelhas, o que é um sinal de infecção bacteriana secundária ou por leveduras. Com o tempo, pode se espalhar para a parte inferior do pescoço, virilha, abdômen, jarretes, olhos, orelhas e a área entre o ânus e os órgãos genitais externos. A coceira é variável. Quando ocorre, pode ser causada pela doença subjacente ou por uma infecção secundária. Com a progressão da doença, desenvolvem-se a perda secundária de pelos, a secreção e infecções.

O diagnóstico é feito pela aparência dos sinais no animal. Em um dachshund jovem, seu veterinário buscará descartar outras causas dos sinais. Será realizada uma anamnese e um exame físico minuciosos para identificar a causa subjacente. A presença de hiperpigmentação secundária sempre sugere uma doença subjacente. O raspado cutâneo é realizado para descartar outras causas (parasitas, por exemplo), especialmente em cães jovens. Esfregaços por impressão são usados para identificar infecções bacterianas. Dependendo de outros sinais, podem ser utilizados exames de função endócrina para doenças da tireoide e das glândulas adrenais, a fim de verificar anormalidades hormonais subjacentes. Testes cutâneos, uma dieta de eliminação ou ambos podem ser necessários para investigar alergias. Podem ser realizadas biópsias de pele para verificar uma condição chamada seborreia. Na maioria dos casos, o seu veterinário irá querer tratar quaisquer infecções bacterianas secundárias antes de prosseguir com outros exames diagnósticos.

A hiperpigmentação primária em dachshunds não é curável. Em alguns cães, a condição é apenas cosmética e não exige tratamento. Se houver inflamação, os casos iniciais podem responder ao tratamento com xampu e pomadas de corticosteroides. À medida que os sinais progridem, outros tratamentos, como medicamentos administrados por via oral ou injetável, podem ser úteis. O tratamento concomitante de infecções secundárias é útil e é necessário antes da administração de corticosteroides. Xampus medicinais são muitas vezes benéficos na remoção do excesso de oleosidade e do odor, mas precisam ser usados regularmente.

Na hiperpigmentação secundária, as áreas afetadas desaparecerão sozinhas após a identificação e o tratamento da causa subjacente. Entretanto, isso não ocorrerá se as infecções secundárias bacterianas ou por leveduras não forem tratadas e controladas. Muitos cães afetados se beneficiam muito do uso de antibióticos adequados e xampus medicamentosos (2 a 3 vezes por semana). Dessa forma, muitos veterinários prescreverão esses tratamentos. Os tutores precisam ser pacientes com esses programas de tratamento. Os sinais de hiperpigmentação regridem lentamente. Pode levar meses para a pele do cão voltar ao normal.

Consulte também o conteúdo profissional sobre acantose nigricans.