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Desenvolvimento de infecção

Revisado/Corrigido fev. 2020 | Modificado set. 2024
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As doenças infecciosas são geralmente provocadas por microrganismos que invadem o corpo e se multiplicam. A invasão pela maioria dos microrganismos tem início quando eles aderem às células do corpo. O fato de um microrganismo permanecer próximo ao local de invasão ou se disseminar para outros locais dependerá de muitos fatores, como a sua produção de toxinas, enzimas ou outras substâncias. Por exemplo, a bactéria Clostridium tetani, ao infectar uma ferida, produz uma toxina que causa o tétano. A intoxicação alimentar é causada por toxinas produzidas por organismos estafilocócicos que estão fora do corpo. A maioria das toxinas tem componentes que se ligam especificamente a moléculas de determinadas células (células-alvo).

Após invadir o corpo, os microrganismos começam a se multiplicar. Uma destas três situações pode ocorrer: os microrganismos podem continuar a se multiplicar e superar as defesas do corpo, causando uma doença; um estado de equilíbrio pode ser alcançado, causando uma infecção crônica; ou o corpo, com ou sem tratamento, pode destruir e eliminar o microrganismo invasor.

Muitos dos microrganismos que causam doenças apresentam propriedades que aumentam a gravidade das doenças e os ajudam a resistir aos mecanismos de defesa do corpo. Por exemplo, algumas bactérias produzem enzimas que rompem os tecidos, permitindo que a infecção se propague com maior rapidez. Outros microrganismos têm formas de bloquear os mecanismos de defesa do corpo, como por interferir na produção de anticorpos ou célula T (um tipo de glóbulo branco). Outros possuem invólucros (cápsulas) que os protegem da fagocitose, processo realizado por glóbulos brancos. Algumas bactérias resistem à destruição por substâncias que circulam na corrente sanguínea. Há também as que produzem substâncias que neutralizam os efeitos dos antibióticos.

Muitos microrganismos diferentes podem causar uma mesma condição (por exemplo, a pneumonia pode ser causada por vírus, bactérias ou fungos). Geralmente, é importante saber qual é o microrganismo específico que está causando a doença, pois o tratamento difere para cada organismo.

Existem muitas formas de identificar os microrganismos. A coleta de uma amostra do local da infecção e sua análise ao microscópio costuma ser o método mais rápido para a identificação. Em alguns casos, os microrganismos podem ser reconhecidos por suas formas e cores características. No entanto, se estiverem em número muito reduzido ou forem pequenos demais para serem visualizados ao microscópio, podem não ser detectados.

Outro método de identificação de um organismo infeccioso consiste em cultivá-lo em laboratório para que testes químicos adicionais possam ser realizados. O processo de cultivo do organismo é denominado cultura. Muitos microrganismos podem ser cultivados dessa forma. Os microrganismos cultivados também podem ser testados quanto à suscetibilidade a vários antibióticos, o que pode ajudar a determinar qual medicamento usar para tratar um animal infectado. Esse teste é importante porque os microrganismos estão constantemente desenvolvendo resistências a antibióticos que antes eram eficazes.

Alguns microrganismos são muito difíceis de cultivar. Essas infecções podem ser identificadas pela detecção de anticorpos contra os microrganismos no sangue ou nos fluidos corporais do animal (testes sorológicos). Os exames que se baseiam em anticorpos são usados no diagnóstico de muitas infecções, mas nem sempre são confiáveis. Os anticorpos podem permanecer no corpo muitos anos após uma infecção ser curada; por isso, um resultado de teste positivo nem sempre indica uma infecção ativa, podendo também indicar uma exposição prévia. Testes mais recentes, como a reação em cadeia da polimerase (PCR), podem identificar fragmentos de material genético de microrganismos (DNA), que só está presente quando o organismo está presente. Esses testes geralmente são realizados apenas quando já há suspeita de uma doença em particular.