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Infecções causadas por bactérias

Revisado/Corrigido fev. 2020 | Modificado set. 2024
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As bactérias são organismos microscópicos unicelulares. Milhões de tipos diferentes de bactérias vivem em todo o mundo. Algumas vivem no ambiente e outras sobre a pele, nas vias aéreas, na boca e nos tratos digestivo e urinário de pessoas e animais. Algumas bactérias sempre provocam doenças, algumas provocam doenças em determinadas condições e muitas bactérias não provocam doenças.

Formatos das bactérias

As bactérias entram com frequência na corrente sanguínea, mas normalmente apenas um pequeno número de cada vez, e não há desenvolvimento de sinais clínicos. Além disso, a maioria das bactérias que entra na corrente sanguínea é rapidamente eliminada pelos glóbulos brancos. No entanto, às vezes, há bactérias demais para serem removidas facilmente, e uma infecção se desenvolve. Uma infecção que se espalha pela corrente sanguínea chama-se sepse.

Bacteremia e sepse

Bacteremia é a presença de bactérias na corrente sanguínea; sepse, também chamada de septicemia, é a doença resultante da persistência dos microrganismos ou de suas toxinas na corrente sanguínea.

A bacteremia transitória pode ocorrer durante procedimentos dentários, pois as bactérias que vivem nas gengivas, em volta dos dentes, são liberadas e entram na corrente sanguínea. As bactérias também podem adentrar a corrente sanguínea pelo intestino, mas são rapidamente eliminadas quando o sangue passa pelo fígado. Esses eventos transitórios geralmente não são graves.

A sepse é menos comum do que a bacteremia. Ela pode se desenvolver quando há uma infecção em alguma parte do corpo, como nos pulmões, no abdômen ou no trato urinário. A sepse também pode ocorrer ao realizar uma cirurgia em uma área infectada ou em uma parte do corpo em que normalmente vivem bactérias, como o intestino. A presença de um objeto estranho, como um acesso intravenoso ou um tubo de drenagem, pode aumentar o risco de sepse, e a probabilidade de sepse aumenta quanto mais tempo o objeto permanece no local. É mais provável que a sepse se desenvolva em animais com sistema imunológico suprimido ou outro distúrbio imunológico. Raramente, infecções não bacterianas podem causar sepse.

As bactérias circulantes podem se alojar em locais pelo corpo todo se o tratamento não for iniciado rapidamente. Uma infecção pode se desenvolver nos tecidos que envolvem o cérebro (meningite), na membrana que envolve o coração (pericardite), nos ossos (osteomielite), nas articulações (artrite infecciosa) e em outras áreas. Determinados tipos de bactérias, como os estafilococos, podem causar um acúmulo de pus, formando abscessos nos órgãos infectados.

Sinais de sepse

Como o corpo geralmente é capaz de eliminar pequenas quantidades de bactérias rapidamente, a bacteremia transitória quase nunca causa sinais. Quando a sepse se desenvolve, os sinais incluem tremores, febre, fraqueza, confusão, falta de apetite, vômitos e diarreia. Outros sinais também podem estar presentes, dependendo do tipo e do local da infecção inicial.

Diagnóstico de sepse

Febre alta repentina em um animal que apresenta uma infecção pode indicar sepse. As bactérias na corrente sanguínea geralmente são difíceis de detectar simplesmente examinando o sangue no microscópio. Talvez sejam necessárias várias amostras de sangue para fazer um diagnóstico; as amostras são enviadas a um laboratório para cultura, um procedimento que tenta cultivar as bactérias para identificação específica. As hemoculturas podem levar vários dias. Infelizmente, nem sempre as bactérias crescem em uma hemocultura, especialmente se o animal estiver recebendo antibióticos. Culturas de outros fluidos e materiais (como urina, líquido cefalorraquidiano e tecido de feridas) também podem ser analisadas quanto à presença de bactérias.

Tratamento e prognóstico da sepse

A bacteremia causada por uma cirurgia ou procedimentos dentários geralmente não exige tratamento. No entanto, os animais com risco de desenvolver infecções graves (como aqueles com válvulas cardíacas ou sistema imunológico debilitado) podem receber antibióticos para prevenir bactérias e sepse antes de serem submetidos a esses procedimentos.

A sepse é muito grave e pode evoluir para um choque séptico. O tratamento com antibióticos deve começar imediatamente, mesmo que os exames laboratoriais para confirmar o diagnóstico não estejam disponíveis. Um atraso no início do tratamento com antibióticos diminuirá bastante as chances de sobrevivência do animal. Inicialmente, um ou mais antibióticos são selecionados com base nas bactérias mais prováveis, o que depende do local de início da infecção. Frequentemente, dois ou três antibióticos eficazes contra uma ampla gama de bactérias são administrados simultaneamente para aumentar as chances de eliminar as bactérias antes que a identidade do agente infeccioso seja conhecida. Posteriormente, quando os resultados estiverem disponíveis, talvez seja necessário trocar o antibiótico para um que seja mais eficaz contra a bactéria específica que está causando a infecção. Em alguns casos, é necessária uma intervenção cirúrgica para eliminar a fonte da infecção.

Choque séptico

O choque séptico é uma condição de ameaça à vida causada por uma infecção na corrente sanguínea (sepse ou intoxicação sanguínea), na qual a pressão arterial fica perigosamente baixa e há disfunção de vários órgãos devido ao fluxo sanguíneo inadequado. Animais com contagem de glóbulos brancos baixa ou com uma doença crônica apresentam maior risco de desenvolver choque séptico.

O choque séptico é causado por substâncias produzidas pelo sistema imunológico para combater uma infeção (citocinas) e por toxinas produzidas por algumas bactérias. Essas substâncias podem causar alargamento ou dilatação dos vasos sanguíneos, que resulta na queda da pressão arterial. O fluxo sanguíneo para órgãos vitais, especialmente rins e cérebro, é reduzido, mesmo que o corpo tente compensar aumentando tanto a frequência cardíaca quanto o volume de sangue bombeado. Com o tempo, as toxinas e o aumento do esforço de bombeamento enfraquecem o coração, reduzindo ainda mais o fluxo de sangue. As paredes dos vasos sanguíneos podem tornar-se permeáveis, permitindo que fluidos escapem da corrente sanguínea para os tecidos, causando inchaço. Nos pulmões, esse extravasamento e o edema resultante causam dificuldade para respirar.

Sinais de choque séptico

Os primeiros sinais de choque séptico podem incluir desorientação, tremores intensos, um rápido aumento da temperatura, pele quente, pulso acelerado e respiração rápida ou ofegante. A produção de urina diminui. Tecidos com baixo fluxo de sangue liberam ácido lático em excesso na corrente sanguínea. Quando o sangue se torna mais ácido, diversos órgãos passam a funcionar de maneira inadequada. Em estágios mais avançados, a temperatura corporal frequentemente cai abaixo do normal.

Diagnóstico de choque séptico

Conforme o choque séptico se agrava, os órgãos internos continuam a falhar. Por exemplo, os rins podem reduzir drasticamente ou interromper a produção de urina, permitindo o acúmulo de resíduos metabólicos (como o nitrogênio ureico) no sangue. Problemas nos pulmões podem causar dificuldade respiratória e uma redução no nível de oxigênio no sangue. O coração pode falhar, resultando em retenção de líquidos e inchaço dos tecidos. Além disso, podem formar-se coágulos dentro dos vasos sanguíneos.

A confirmação de um diagnóstico de choque séptico pode exigir análises sofisticadas de várias amostras de sangue. Os resultados dessas análises geralmente identificam níveis altos ou baixos de glóbulos brancos, diminuição da concentração de oxigênio, menos plaquetas que o normal, excesso de ácido láctico e aumento dos níveis de resíduos metabólicos. Um eletrocardiograma (ECG) pode mostrar alterações no ritmo cardíaco, indicando perfusão sanguínea inadequada do coração. Para identificar as bactérias responsáveis, realizam-se culturas de sangue. Testes adicionais podem ser necessários já que existem outras causas de choque além de sepse.

Tratamento e prognóstico

Assim que os sinais de choque séptico se tornam evidentes, grandes volumes de fluidos são administrados por via intravenosa para elevar a pressão arterial. Também são administrados fármacos para aumentar o fluxo de sangue para o cérebro, o coração e outros órgãos. Oxigênio também é administrado.

Após a coleta de amostras de sangue para culturas laboratoriais, doses elevadas de antibióticos são administradas por via intravenosa. Assim como na sepse, dois ou três antibióticos são administrados simultaneamente para aumentar as possibilidades de eliminar as bactérias. Quando a bactéria específica causadora da infecção é identificada, pode ser necessário substituir o antibiótico.

Pode ser necessária uma cirurgia para drenar os abscessos ou extrair tecido morto como, por exemplo, o tecido gangrenado do intestino. Apesar de todos os esforços, muitos animais com choque séptico não sobrevivem.