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Defesas contra infecção

Revisado/Corrigido fev. 2020 | Modificado out. 2025
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As barreiras físicas e o sistema imunológico defendem o corpo do animal contra organismos capazes de causar doenças. As barreiras físicas incluem os revestimentos externos, como couro, pelo, penas e escamas. Outras barreiras incluem as membranas mucosas, as lágrimas, a cera dos ouvidos, o muco e o ácido gástrico. Além disso, o fluxo normal da urina elimina os microrganismos que tenham adentrado o trato urinário. O sistema imunológico conta com os glóbulos brancos do sangue e os anticorpos para identificar e eliminar os organismos que conseguem ultrapassar as barreiras físicas.

Barreiras físicas

A menos que estejam danificados — por exemplo, por lesão, picada de inseto ou queimadura — os revestimentos externos de um animal geralmente impedem a invasão por microrganismos. As membranas mucosas, como os revestimentos da boca, do nariz e das pálpebras, constituem outro tipo de barreiras físicas muito eficazes. Geralmente, as membranas mucosas são cobertas com secreções que combatem os microrganismos. Por exemplo, as membranas mucosas dos olhos são banhadas por lágrimas, que contêm uma enzima que ataca as bactérias e ajuda a proteger os olhos contra as infecções.

As vias aéreas filtram partículas presentes no ar inspirado. As paredes das passagens nasais e das vias aéreas são revestidas com muco. Os microrganismos no ar aderem ao muco, que é eliminado por tosse ou expelido pelo nariz. A remoção de muco é auxiliada pelo movimento coordenado de pequenas projeções semelhantes a pelos, chamadas cílios, que revestem as vias aéreas. Os cílios impelem o muco para fora dos pulmões através das vias aéreas.

O trato digestivo possui uma série de barreiras eficazes, como o ácido gástrico, as enzimas pancreáticas, a bile e as secreções intestinais. Além disso, existem microrganismos benéficos (conhecidos como flora habitual ou microbiota intestinal), que habitam os intestinos e ajudam o sistema imunológico a combater infecções. As contrações do intestino e a renovação normal das células que o revestem ajudam a eliminar os microrganismos nocivos.

No trato urinário, a urina passa pela uretra (uma estrutura tubular) ao deixar o corpo. Em machos adultos, a longa extensão da uretra geralmente evita que bactérias passem por ela e cheguem até a bexiga. Nas fêmeas, a uretra é mais curta, e as bactérias externas ao corpo podem alcançar a bexiga com maior facilidade. O efeito de lavagem durante o esvaziamento da bexiga é um mecanismo ativo de defesa em ambos os sexos. A vagina é protegida contra microrganismos nocivos por seu ambiente normalmente ácido.

O sangue

Outra forma pela qual o corpo se defende contra infecções é pelo aumento do número de determinados tipos de glóbulos brancos (neutrófilos e monócitos) que cercam e destroem os microrganismos invasores. O número de neutrófilos e monócitos pode aumentar em algumas horas, pois as reservas de glóbulos brancos (ou leucócitos) podem ser liberadas pela medula óssea. A quantidade de neutrófilos aumenta primeiro. Quando a infecção persiste, aumenta a quantidade de monócitos. O número de eosinófilos, outro tipo de leucócito, aumenta em reações alérgicas e em muitas infestações parasitárias, mas normalmente isso não acontece nas infecções bacterianas.

Inflamação

Qualquer lesão, incluindo a invasão de microrganismos, resulta em uma reação complexa na área afetada, denominada inflamação. A inflamação se desenvolve como resultado de muitas condições diferentes e tem início com a liberação de diferentes substâncias a partir do tecido lesionado. Em seguida, ela direciona as defesas do organismo para atacar e eliminar quaisquer organismos invasores, remover tecidos mortos e danificados e iniciar o processo de reparo. No entanto, a inflamação, por si só, pode não ser capaz de controlar grandes quantidades de microrganismos.

Durante a inflamação, o suprimento sanguíneo também aumenta. Isso pode ser observado em uma área infectada próxima à superfície do corpo, que se torna avermelhada e quente. As paredes dos vasos sanguíneos tornam-se mais porosas, permitindo que o líquido e os leucócitos passem para o tecido afetado. O aumento de líquido provoca edema no tecido inflamado. Os neutrófilos atacam os microrganismos invasores e liberam substâncias que dão continuidade ao processo inflamatório. Outras substâncias desencadeiam a coagulação nos pequenos vasos sanguíneos na área inflamada, que inibe a proliferação de microrganismos e suas toxinas. Muitas das substâncias liberadas durante a inflamação estimulam os nervos, provocando dor, que pode ser difícil de reconhecer em animais ( consulte Pain and Pain Management in Pets). As reações às substâncias liberadas durante a inflamação incluem febre e rigidez muscular, que comumente acompanham as infecções.

Resposta imunológica

Durante a evolução de uma infecção, o sistema imunológico responde produzindo diversas substâncias e agentes que têm como objetivo o ataque específico aos microrganismos invasores. Por exemplo, o sistema imunológico pode produzir células T assassinas (um tipo de glóbulo branco) que podem reconhecer e matar o microrganismo invasor. Em alguns casos, o sistema imunológico também pode produzir anticorpos específicos contra o microrganismo invasor. Os anticorpos aderem aos microrganismos e os imobilizam — eliminando-os diretamente ou auxiliando os neutrófilos a identificá-los e destruí-los.

Febre

O aumento da temperatura corporal constitui uma resposta de proteção perante a infecção e a lesão. A febre resultante potencializa os mecanismos de defesa do organismo. A temperatura corporal normal varia entre as espécies. Cães e gatos, por exemplo, têm uma temperatura corporal média em torno de 101,5 °F, que é superior à dos humanos. Répteis e anfíbios são animais de sangue frio e não mantêm uma temperatura corporal definida. Assim, eles são incapazes de desenvolver uma febre verdadeira como resposta à infecção. (Às vezes, eles procuram locais quentes de forma não habitual, desenvolvendo o que é conhecido como febre comportamental, para realizar a mesma função).

O hipotálamo, uma região do cérebro, controla a temperatura corporal. Quando o “termostato” do hipotálamo é reajustado, ocorre a febre. O corpo eleva sua temperatura ao desviar o sangue da superfície da pele até o interior do corpo, reduzindo assim a perda de calor. Podem ocorrer arrepios (calafrios) para aumentar a produção de calor através da contração muscular. Os esforços do corpo para conservar e produzir calor continuam até que o sangue alcance o hipotálamo na nova temperatura mais elevada, que então é mantida. Depois, quando o “termostato” retorna ao seu nível normal, o corpo elimina o excesso de calor por meio do suor (mínimo ou ausente em alguns animais) e do desvio do fluxo sanguíneo para a pele.

A febre pode seguir um padrão: por vezes, a temperatura atinge picos todos os dias e depois volta ao normal. Alternativamente, a temperatura pode variar sem retornar ao normal. Alguns animais (como os bem idosos ou bem jovens) podem apresentar uma queda de temperatura como resposta a uma infecção grave.

  • Infecção

  • Câncer

  • Reações alérgicas

  • Doenças autoimunes

  • Exercício físico intenso, sobretudo em climas quentes.

  • Determinados medicamentos, incluindo anestésicos

  • Lesões do hipotálamo (região do cérebro que controla a temperatura), como as decorrentes, por exemplo, de traumatismo ou tumor cerebral.

Geralmente, a febre é causada por uma infecção (por exemplo, pneumonia ou infecção do trato urinário), que muitas vezes pode ser diagnosticada com base no histórico, no exame físico e, às vezes, em alguns exames, como radiografia de tórax ou urinálise. No entanto, a febre também pode ser decorrente de uma inflamação, um câncer ou uma reação alérgica. Em alguns casos, a causa não pode ser facilmente determinada. Quando a febre persiste durante vários dias e não apresenta uma causa óbvia, torna-se necessário proceder a uma investigação mais específica. Possíveis causas desse tipo de febre incluem infecções, doenças causadas por anticorpos contra os tecidos do próprio animal (doenças autoimunes) e por um câncer não detectado (especialmente leucemia ou linfoma).

O veterinário perguntará sobre os sinais e doenças atuais e anteriores do seu animal, quaisquer medicamentos que ele esteja recebendo, possível exposição a infecções (como hospedagem em um hotel para animais) e viagem recente. O padrão da febre geralmente não ajuda no diagnóstico. Um histórico de exposição a determinados materiais ou de interação com outros animais também é importante.

Um exame físico completo será realizado para procurar uma fonte de infecção ou evidências de doença. Amostras de sangue e outros fluidos corporais podem ser enviados para o laboratório para cultura, que é uma tentativa de cultivo de microrganismos fora do corpo para que possam ser identificados. Outros exames de sangue podem ser usados para detectar anticorpos contra microrganismos específicos. O aumento da quantidade de leucócitos costuma ser sinal de infecção. A contagem diferencial (a proporção de diferentes tipos de leucócitos) fornece mais pistas. Por exemplo, um aumento de neutrófilos sugere infecção bacteriana. Um aumento de eosinófilos sugere a presença de parasitas, por exemplo, nematódeos ou dirofilárias.

Quando um animal apresentar uma febre sustentada por várias semanas, e uma investigação exaustiva não revelar a causa, o veterinário poderá considerá-la uma febre de origem desconhecida. Nesses casos, a febre pode ser provocada por uma infecção crônica incomum ou por outra condição, como doença do tecido conjuntivo, câncer ou outra enfermidade. Técnicas avançadas de diagnóstico por imagem (por exemplo, ultrassonografia, tomografia computadorizada [TC] ou ressonância magnética [RM]) podem ajudar a determinar o diagnóstico. Uma amostra para biópsia do fígado, da medula óssea ou de outro local suspeito pode ser necessária para exame.