VERSÃO PARA DONOS DE ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO

Raiva em cães

PorThomas Schubert, DVM, DACVIM, DABVP, Small Animal Clinical Sciences, College of Veterinary Medicine, University of Florida
Revisado/Corrigido fev. 2018 | Modificado set. 2024
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A raiva é uma infecção viral no sistema nervoso que afeta principalmente carnívoros e morcegos, embora possa afetar qualquer mamífero. Ela é causada pelo vírus da raiva. Provoca inflamação repentina e progressiva no cérebro e na medula espinhal. Quando os sinais clínicos aparecem, é fatal. A raiva é encontrada em todo o mundo, embora alguns países sejam considerados livres da doença devido ao sucesso dos programas de erradicação. Ilhas que têm um programa de quarentena rigoroso em vigor muitas vezes são livres da raiva. Na América do Norte e na Europa, a raiva foi praticamente erradicada em cães domésticos, embora ainda afete a vida selvagem, principalmente raposas, guaxinins, gambás e morcegos.

A transmissão ocorre quase sempre pela mordida de um animal infectado, quando a saliva contendo o vírus da raiva é introduzida no corpo. O vírus pode permanecer no corpo por semanas antes que os sinais se desenvolvam. A maioria dos casos em cães se desenvolve dentro de 21 a 80 dias após a exposição; no entanto, o período de incubação pode ser consideravelmente mais curto ou mais longo.

Sinais e diagnóstico

A maioria dos animais com raiva apresenta sinais de perturbação no sistema nervoso central. Os indicadores mais confiáveis são mudanças comportamentais repentinas e graves e paralisia inexplicável que se agrava com o tempo. As mudanças comportamentais podem incluir perda repentina de apetite, sinais de apreensão ou nervosismo, irritabilidade e hiperexcitabilidade. O animal pode se isolar ou um animal que normalmente é hostil pode tornar-se amigável. Uma agressividade não característica pode se desenvolver, e animais selvagens podem perder o medo das pessoas. Animais que são normalmente noturnos podem ser vistos vagando durante o dia.

A forma furiosa da raiva é a síndrome clássica do “cachorro louco”, embora seja observada em todas as espécies. O animal fica irritável e pode usar os dentes e as garras de forma agressiva e violenta à menor provocação. A postura é de alerta e ansiedade, com pupilas dilatadas. Ruídos podem provocar ataques. Esses animais perdem o medo e a cautela em relação a outros animais. Filhotes jovens podem procurar a companhia humana e ser excessivamente brincalhões, mas mordem mesmo quando acariciados, tornando-se agressivos em poucas horas. A doença pode evoluir com convulsões e falta de coordenação muscular. A morte é causada por paralisia progressiva.

A forma paralítica da raiva (ou “raiva muda”) geralmente envolve paralisia nos músculos da garganta e da mandíbula, muitas vezes com salivação excessiva e incapacidade de engolir. A queda da mandíbula inferior é comum. Esses animais podem não ser agressivos e raramente tentam morder. As pessoas podem ser infectadas por essa forma ao examinar a boca do cão ou ao administrar medicamentos com as mãos desprotegidas. A paralisia progride para todo o corpo e a morte ocorre em poucas horas.

O diagnóstico é difícil, especialmente em áreas onde a raiva não é comum. Os estágios iniciais da raiva podem ser facilmente confundidos com outras doenças ou com tendências agressivas normais. O diagnóstico da raiva deve ser confirmado com exames laboratoriais. O animal deve ser submetido à eutanásia e os restos mortais, enviados para análise laboratorial.

Controle da raiva

A Organização Mundial da Saúde (OMS) possui diretrizes rígidas para controlar a raiva na população canina. Essas diretrizes incluem: 1) notificação de casos suspeitos, com eutanásia de cães que apresentem sinais clínicos ou que tenham sido mordidos por animais com suspeita de raiva; 2) obrigatoriedade do uso de guia e quarentena para reduzir o contato entre animais suscetíveis; 3) programas de imunização em massa, com reforços periódicos; 4) controle de cães errantes e eutanásia de cães não vacinados que circulam livremente; e 5) programas de registro de cães.

Os programas de vacinação antirrábica são rigorosamente aplicados. O Compêndio de Prevenção e Controle da Raiva Animal recomenda a vacinação a cada três anos, após uma série inicial de duas vacinas com intervalo de um ano. Como a raiva está sendo observada com mais frequência em gatos, eles também devem ser vacinados.

Manejo de casos suspeitos de raiva

Em áreas onde se sabe que a raiva existe na população silvestre (incluindo morcegos), um animal mordido ou exposto de outra forma por um mamífero carnívoro silvestre ou um morcego que não esteja disponível para testes deve ser considerado como tendo sido exposto à raiva. A Associação Nacional de Veterinários de Saúde Pública recomenda que qualquer cão não vacinado exposto à raiva seja submetido à eutanásia imediatamente. Se o proprietário não estiver disposto a fazer isso, o animal deve ser colocado em isolamento rigoroso, sem contato com humanos ou animais, por 6 meses e ser vacinado contra a raiva 1 mês antes de ser liberado. Se um animal exposto estiver vacinado, ele deve ser revacinado imediatamente e observado de perto por 45 dias.

Risco de transmissão da raiva para pessoas

Quando uma pessoa é exposta a um animal suspeito de raiva, o risco de transmissão da raiva deve ser avaliado cuidadosamente. Guaxinins, raposas, gambás e outros animais carnívoros selvagens e morcegos apresentam um risco considerável onde a doença é encontrada, independentemente de ter sido observado comportamento anormal. Morcegos insetívoros, embora pequenos, podem causar feridas com os dentes e nunca devem ser capturados ou manuseados com as mãos desprotegidas. Mordidas de morcegos podem ser ignoradas ou passar despercebidas; portanto, o contato direto com morcegos pode ser considerado um risco de exposição ao vírus.

Qualquer carnívoro selvagem ou morcego suspeito de expor uma pessoa à raiva deve ser considerado infectado pelo vírus da raiva, a menos que se prove o contrário por meio de diagnóstico laboratorial; o ideal é que sejam incluídos morcegos em contato direto com pessoas, como aqueles encontrados em quartos com pessoas dormindo ou inconscientes. Animais selvagens, incluindo híbridos de lobo, nunca devem ser mantidos como animais de estimação; se um desses animais expuser uma pessoa ou animal doméstico, ele deve ser submetido a eutanásia e exame laboratorial para diagnóstico de raiva.

Qualquer cão, gato ou furão doméstico saudável, vacinado ou não, que morder uma pessoa ou depositar saliva em uma ferida recente, deve ser confinado por 10 dias para observação. Se o animal desenvolver sinais nesses 10 dias, deve ser imediatamente submetido a eutanásia e exame laboratorial. Se o animal responsável pela exposição for de rua ou indesejado, ele deve ser submetido a eutanásia e exame laboratorial imediatamente.

A vacinação pré-exposição é fortemente recomendada para todas as pessoas em grupos de alto risco, como equipes veterinárias, agentes de zoonoses, equipes de laboratórios de diagnóstico e viajantes que trabalham em países onde a raiva canina é comum. No entanto, a vacinação pré-exposição por si só não é suficiente em caso de exposição posterior ao vírus da raiva e deve ser complementada com doses adicionais da vacina. Para pessoas saudáveis e não vacinadas mordidas por um animal com raiva, o tratamento consiste em cuidados com a ferida, injeção local de anticorpos contra a raiva na ferida e várias doses da vacina durante um período de 2 semanas. Quando feito oportuna e adequadamente, o tratamento pós-exposição moderno praticamente garante a sobrevivência humana.

Para obter mais informações

Consulte também o conteúdo profissional sobre a raiva.