Os fungos são organismos parasitas produtores de esporos. Eles obtêm seu alimento por meio da absorção de nutrientes dos hospedeiros nos quais se desenvolvem. Muitas espécies de fungos existem no ambiente, porém apenas um número muito pequeno causa infecções. A principal fonte da maioria das infecções é o solo. As infecções fúngicas podem ser contraídas por inalação, ingestão ou através da pele (por exemplo, através de um corte ou ferida).
Algumas infecções fúngicas podem causar doenças em animais saudáveis, enquanto outras requerem um hospedeiro incapacitado ou imunocomprometido (por exemplo, devido a fatores como cativeiro, má nutrição, infecções virais, câncer ou medicamentos como esteroides) para se estabelecerem. O uso prolongado de medicamentos antimicrobianos ou agentes imunossupressores parece aumentar a probabilidade de algumas infecções fúngicas. A infecção em si pode ser localizada ou afetar todo o corpo (sistêmica ou generalizada).
Aspergilose
A aspergilose é uma infecção fúngica causada por várias espécies de Aspergillus. É encontrada em todo o mundo e em quase todos os animais domésticos, bem como em muitas espécies selvagens. Trata-se principalmente de uma infecção respiratória que pode se generalizar; no entanto, a suscetibilidade a infecções fúngicas varia entre as espécies.
Aspergilose nasal
Em cães, a aspergilose é normalmente localizada na cavidade nasal ou nos seios paranasais e é geralmente causada por infecção com Aspergillus fumigatus. A aspergilose nasal é uma doença relativamente comum em cães. A doença geralmente permanece confinada à cavidade nasal ou aos seios paranasais, mas causa destruição das delicadas estruturas ósseas nasais conhecidas como conchas nasais. Ocasionalmente, uma infecção muito invasiva pode afetar a órbita ocular e o crânio. A maioria dos casos de aspergilose nasal ocorre em cães com sistemas imunológicos normais e que, de resto, gozam de boa saúde.
A aspergilose nasal é observada principalmente em raças de cães com cabeças e focinhos longos e estreitos (como collies e greyhounds). Os sinais de infecção incluem letargia, secreção nasal sanguinolenta, dor nasal, espirros, ulceração ao redor das narinas e hemorragia nasal. O veterinário realizará uma série de exames antes de fornecer um diagnóstico. Os exames podem incluir radiografias, tomografia computadorizada (TC), endoscopia nasal e exames laboratoriais. A maioria dos casos de aspergilose nasal pode ser tratada com sucesso com medicamentos antifúngicos, que geralmente são administrados por infusão na cavidade nasal. Também podem ser recomendados medicamentos antifúngicos orais. As recidivas são possíveis, mas são incomuns.
Aspergilose disseminada
A aspergilose disseminada, uma forma mais generalizada da infecção, é mais comum em pastores alemães do que em outras raças. Aspergillus tereus, Aspergillus deflectus e Aspergillus niger são as espécies de microrganismos mais comumente responsáveis. O fungo provavelmente entra pelo trato respiratório e atinge os pulmões; em seguida, dissemina-se pela corrente sanguínea, espalhando-se por todo o corpo, inclusive para os discos intervertebrais da coluna vertebral ou para os rins. Outros órgãos, músculos ou ossos também podem ser afetados.
A aspergilose disseminada geralmente leva vários meses para se desenvolver. Os sinais dessa doença podem incluir manifestações neurológicas, como dorsalgia que evolui para paralisia parcial ou completa, ou claudicação de um membro associada a inchaço acentuado. Outros achados, menos específicos, incluem diminuição do apetite, perda de peso, atrofia muscular, febre, fraqueza, letargia, claudicação, vômitos, presença de sangue na urina, micções involuntárias e aumento dos linfonodos. Cães gravemente doentes têm um prognóstico desfavorável. A maioria dos cães morre em decorrência da aspergilose disseminada, embora alguns poucos tenham sido tratados com sucesso.
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Candidíase
A candidíase é uma doença fúngica localizada que afeta as membranas mucosas, a pele e o trato gastrointestinal. Ela é distribuída mundialmente em diversas espécies animais e é mais comumente causada por espécies do fungo leveduriforme, Candida albicans. A candidíase é rara em cães. Fatores que podem predispor um animal à infecção incluem lesões em qualquer das membranas mucosas, o uso de cateteres, a administração de antibióticos e o uso de medicamentos imunossupressores ou a presença de doenças imunossupressoras.
Os sinais de infecção são variáveis e inespecíficos (por exemplo, diarreia, fraqueza, lesões cutâneas) e podem estar mais relacionados às condições primárias ou predisponentes do que à própria infecção por candidíase. Pomadas ou aplicações tópicas podem ser úteis no tratamento da candidíase oral ou cutânea. O veterinário também pode recomendar diferentes medicamentos administrados por via oral ou intravenosa para o tratamento de cães infectados.
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Coccidioidomicose (febre do vale)
A coccidioidomicose é uma infecção não contagiosa, transmitida por poeira, causada pelo fungo Coccidioides immitis. As infecções estão restritas a regiões secas, de clima desértico, do sudoeste dos Estados Unidos e aos vales do sul da Califórnia. Áreas geográficas semelhantes do México e da América Central e do Sul também são afetadas. Embora muitas espécies de animais, incluindo os seres humanos, sejam suscetíveis, apenas os cães são afetados de forma significativa. A inalação de esporos fúngicos (frequentemente transportados em partículas de poeira) é o único modo de infecção comprovado. Epidemias podem ocorrer quando períodos chuvosos são seguidos por secas, resultando em tempestades de poeira. A coccidioidomicose é principalmente uma doença respiratória crônica, porém as infecções em cães podem se disseminar por todo o organismo, afetando diversos tecidos, especialmente os olhos, as articulações e os ossos. Os sinais podem variar amplamente, dependendo dos órgãos envolvidos e da gravidade da infecção. Cães com a forma disseminada da doença podem apresentar tosse persistente, diminuição do apetite, comprometimento geral da saúde e desnutrição, claudicação, aumento do tamanho das articulações, febre e diarreia intermitente. A pele pode ficar ulcerada. Muitos cães expostos aos esporos fúngicos conseguem combater a infecção sem apresentar quaisquer sinais clínicos.
A coccidioidomicose é diagnosticada por meio de radiografias e exames laboratoriais. Em alguns cães que desenvolvem sinais, a doença desaparece sem tratamento. No entanto, se surgirem sinais respiratórios crônicos ou se a infecção envolver múltiplos órgãos e tecidos do organismo, é necessário tratamento antifúngico de longa duração. Nos casos em que a infecção se disseminou, o tratamento dura normalmente entre 6 e 12 meses. Com o tratamento, a probabilidade de recuperação da forma primária (respiratória) é bastante boa. A recuperação nos casos disseminados varia de acordo com a localização e a gravidade da infecção, devendo ser considerada reservada. Não há prevenção conhecida além da redução da exposição do animal de estimação ao solo e à poeira de regiões desérticas onde o fungo ocorre.
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Criptococose
A criptococose é uma doença fúngica que pode afetar o trato respiratório (especialmente a cavidade nasal), o sistema nervoso central, os olhos e a pele. Os fungos causadores, Cryptococcus neoformans e Cryptococcus gattii, são encontrados mundialmente no solo e em excrementos de aves, especialmente nas fezes de pombos. A transmissão ocorre pela inalação de esporos ou contaminação de feridas. Humanos e animais imunossuprimidos apresentam risco aumentado de desenvolver criptococose.
Nos cães, a doença geralmente se dissemina por todo o corpo, afetando o sistema nervoso central ou os olhos. Os sinais estão mais frequentemente relacionados com disfunções nessas áreas. Os sinais do sistema nervoso central incluem inclinação da cabeça, movimentos oculares de vaivém denominados nistagmo, paralisia do nervo facial levando à incapacidade de piscar, coordenação deficiente, andar em círculos e convulsões. Os problemas oculares podem incluir hemorragia na retina e inflamação do olho. A doença também é frequentemente encontrada nas passagens nasais e nos pulmões. Outros tecidos que podem ser afetados incluem os rins, os linfonodos, o baço, o fígado, a tireoide, as glândulas adrenais, o pâncreas, os ossos, o trato gastrointestinal, os músculos, o coração, a próstata e as amígdalas.
A criptococose é diagnosticada por meio de exames laboratoriais, geralmente a partir da coleta de amostras da área afetada ou de quaisquer secreções presentes. Os testes também podem ser realizados na urina, no sangue ou no líquido cefalorraquidiano. Diversos antifúngicos podem ser prescritos para o tratamento da criptococose; entretanto, a maioria dos animais afetados necessita de tratamento prolongado (por até vários meses), dependendo da gravidade e da extensão da doença. O tratamento da criptococose pode incluir cirurgia para remoção de lesões na cavidade nasal ou no dorso do nariz (ponte nasal). O prognóstico de recuperação é desfavorável quando cães infectados apresentam comprometimento disseminado do sistema nervoso.
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Geotricose
A geotricose é uma infecção fúngica rara causada por Geotrichum candidum, um fungo presente no solo, em matéria orgânica em decomposição e em alimentos contaminados. Este fungo faz parte da flora normal da boca e do trato intestinal dos seres humanos. O microrganismo pode causar doença generalizada em cães. Os sinais de infecção variam conforme os órgãos envolvidos e podem incluir tosse, febre, diminuição do apetite, ingestão excessiva de água, dificuldade respiratória progressiva, vômitos e icterícia (coloração amarelada da pele e das mucosas). A doença pode progredir rapidamente e geralmente é fatal.
O tratamento da geotricose disseminada pode ser tentado com medicamentos antifúngicos, porém, na maioria das vezes, não é bem-sucedido.
Histoplasmose
A histoplasmose é uma infecção não contagiosa causada pelo fungo Histoplasma capsulatum, que é encontrado em todo o mundo. O agente causador da doença é um fungo presente no solo, amplamente distribuído (especialmente por populações de aves e morcegos) nas regiões centro-oeste e sul dos Estados Unidos, sobretudo em vales fluviais. A infecção ocorre quando os esporos presentes no ar são inalados. Os pulmões e os linfonodos torácicos são os locais de infecção primária, embora o trato gastrointestinal possa ser acometido em cães. Os microrganismos entram na corrente sanguínea a partir do local primário de infecção e se disseminam por todo o corpo, podendo localizar-se na medula óssea ou nos olhos.
Os sinais variam e são inespecíficos, refletindo o envolvimento de vários órgãos. Os sinais digestivos crônicos, especialmente a diarreia, são geralmente mais evidentes nos cães. Muitos cães apresentam um curso prolongado de perda de peso (que pode evoluir para emagrecimento), tosse, febre, anemia, aumento do fígado e do baço ou dos linfonodos, além de úlceras do trato digestório. Também podem ser observadas dificuldade para respirar, feridas na pele, doenças articulares e problemas oculares. A histoplasmose súbita pode causar a morte em 2 a 5 semanas. O diagnóstico requer a identificação do fungo nos fluidos corporais ou tecidos. Também podem ser utilizados exames de sangue, urina ou líquido cefalorraquidiano.
O tratamento da histoplasmose disseminada é difícil. Requer o uso de medicamentos antifúngicos e tratamento de suporte, como nutrição adequada, líquidos adicionais (hidratação) e controle de infecções bacterianas secundárias. O tratamento antifúngico deve ser continuado por períodos prolongados e pode ser caro.
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Micetomas
Micetomas são infecções da pele e dos tecidos subjacentes que se apresentam sob a forma de nódulos ou tumores. Quando essas lesões são causadas por fungos, são denominadas micetomas eumicóticos. O fungo prolifera nas lesões e se organiza em agregados conhecidos como grânulos ou grãos. Os grânulos podem ter várias cores e tamanhos, dependendo da espécie de fungo envolvida.
A maioria dos micetomas eumicóticos está confinada ao tecido subcutâneo, porém alguns podem representar extensões de infecções fúngicas na cavidade abdominal. A inflamação da membrana que reveste as paredes abdominais ou a presença de massas abdominais é tipicamente observada em casos de micetomas de grãos brancos. Os micetomas de grãos negros são geralmente caracterizados por nódulos cutâneos localizados nas pernas e nos pés ou na face. Quando os pés ou membros estão envolvidos, a infecção pode se estender ao osso subjacente.
O micetoma é diagnosticado através da identificação do fungo presente no seu conteúdo. Pode ser necessária uma biópsia do tecido. O prognóstico dos micetomas abdominais é reservado, pois o comprometimento tecidual costuma ser extenso. Os micetomas cutâneos, embora não sejam fatais, são frequentemente difíceis de curar. A remoção cirúrgica, incluindo a amputação de membros, pode ser o único tratamento eficaz em alguns casos de micetomas cutâneos. Os medicamentos antifúngicos têm se mostrado eficazes apenas em alguns casos.
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Blastomicose
A blastomicose norte-americana, causada pelo fungo Blastomyces dermatitidis, geralmente está restrita a áreas geográficas específicas das bacias dos rios Mississippi, Missouri, Tennessee e Ohio, bem como às regiões ao longo dos Grandes Lagos e da Hidrovia do Canal de São Lourenço. Também ocorre no noroeste do Pacífico. Barragens de castores e outros habitats onde o solo é úmido, ácido e rico em vegetação em decomposição podem servir como nichos ecológicos para o organismo, que também já foi encontrado em fezes de pombos e morcegos.
Esse fungo existe em duas formas distintas: a forma micelial (presente no ambiente e contagiosa) e a forma leveduriforme (encontrada nos tecidos e não contagiosa). A forma micelial da blastomicose pode facilmente infectar tanto animais quanto seres humanos. Quando as defesas respiratórias são superadas ou há imunossupressão, a infecção se dissemina a partir dos pulmões pela corrente sanguínea. A infecção pode ocorrer através da pele, porém a disseminação a partir de uma infecção pulmonar é muito mais comum.
Cães machos jovens, especialmente cães de caça, apresentam risco aumentado, presumivelmente devido ao maior contato com solo contaminado. O prognóstico depende da extensão e gravidade do envolvimento pulmonar. Em cães, a blastomicose afeta mais comumente os pulmões (em até 85% dos casos), os olhos, a pele e os ossos.
A maioria dos animais afetados apresenta sinais como tosse, febre, letargia, perda de apetite e perda de peso. Além da tosse, o comprometimento pulmonar leva à intolerância ao exercício e à dificuldade respiratória. Os gânglios linfáticos periféricos do animal frequentemente apresentam aumento de tamanho. Estão localizados sob o pescoço, na região dos ombros e atrás dos joelhos. O envolvimento ósseo pode causar dor que resulta em claudicação. A infecção do trato urogenital (por exemplo, da glândula prostática em cães machos) pode ocorrer ocasionalmente e causar sinais como presença de sangue na urina ou dificuldade para urinar. O envolvimento ocular pode causar dor, sensibilidade à luz e glaucoma. O envolvimento da retina pode levar à cegueira. Podem ser encontrados múltiplos nódulos drenantes na pele.
O veterinário pode suspeitar de blastomicose com base nos sinais clínicos do cão, especialmente tosse, dificuldade respiratória ou nódulos cutâneos com drenagem. Frequentemente são realizadas radiografias do tórax. O diagnóstico pode ser estabelecido por meio da identificação do fungo nos tecidos afetados ou por exames laboratoriais de sangue ou urina.
O tratamento da blastomicose baseia-se na gravidade da condição e em outros fatores que devem ser avaliados pelo médico-veterinário. O tratamento tem como objetivo o alívio dos sinais clínicos específicos (como dificuldade respiratória, tosse ou problemas oculares) e a eliminação do fungo do organismo. O tratamento pode incluir um ou mais medicamentos antifúngicos, administrados por um período prolongado (2 meses ou mais), até que não haja evidência de doença ativa. A infecção pode reaparecer em cerca de 20% dos cães tratados. A recorrência pode ocorrer meses ou anos após o tratamento. A maioria dos cães voltará a responder ao tratamento. A perspectiva é melhor para cães sem doença pulmonar grave. O prognóstico é mais reservado para cães com doença pulmonar moderada a grave e é desfavorável nos casos com comprometimento do sistema nervoso central.
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Oomicose (pitiose e lagenidiose)
A oomicose (também chamada de pitiose) é uma doença causada por Pythium insidiosum, que não é um fungo verdadeiro, mas um oomiceto aquático relacionado às algas. Ela ocorre em algumas áreas tropicais e subtropicais do mundo e é observada em regiões de clima quente a temperado dos Estados Unidos. Em cães, a pitiose é mais frequentemente encontrada no sudeste da Ásia, na costa leste da Austrália, na América do Sul e nos Estados Unidos, especialmente ao longo da costa do Golfo. Nos Estados Unidos, a doença é mais frequente nos meses de outono e inverno.
Esses organismos causam doença quando os animais entram em contato com zoósporos infectantes presentes na água, geralmente por ingestão. A pitiose afeta mais frequentemente o trato gastrointestinal em cães adultos jovens, especialmente da raça Labrador Retriever. O local mais comum de infecção é o estômago e os tecidos intestinais adjacentes, porém qualquer segmento do trato gastrointestinal pode ser acometido. Cães afetados frequentemente apresentam histórico de obstrução do trato gastrointestinal superior e podem apresentar uma massa abdominal palpável ao exame clínico realizado pelo veterinário. Os sinais comuns incluem vômitos, perda de peso e perda de apetite. A perda de peso pode ser grave, porém os cães afetados em geral não aparentam estar sistemicamente enfermos até que a infecção esteja em estágio avançado.
Com menor frequência, os cães podem apresentar infecção por pitiose localizada na pele e nos tecidos adjacentes. Uma ferida geralmente permite a entrada dos zoósporos infecciosos nos tecidos da pele. Muitos desses animais têm um histórico de nadar ou estar em áreas “pantanosas”. Podem estar presentes nódulos semelhantes a tumores que não cicatrizam. Eles costumam crescer rapidamente. Algumas lesões podem apresentar uma área concentrada de células mortas e uma aparência esponjosa. Essas lesões geralmente localizam-se nas pernas, no pescoço, próximo à base da cauda ou no períneo (a região entre o ânus e a bolsa escrotal, nos machos, ou a vulva, nas fêmeas). No entanto, podem ser observadas em qualquer parte do corpo.
A lagenidiose é uma doença que envolve a pele, o tecido subcutâneo e múltiplas regiões do corpo, mais frequentemente as pernas, as glândulas mamárias, o períneo ou o tronco. Recentemente, foram relatados casos em cães do sul dos Estados Unidos. A lagenidiose também é causada por um oomiceto aquático (espécies do gênero Lagenidium). Existem pelo menos duas espécies de Lagenidium que afetam cães, sendo que uma delas apresenta progressão rápida. A forma de desenvolvimento mais lento da lagenidiose é muito semelhante à forma cutânea da pitiose. A forma de desenvolvimento mais rápido pode envolver vários órgãos em todo o corpo. Os linfonodos internos, os pulmões e grandes vasos sanguíneos (como a aorta ou a veia cava) podem ser afetados. Isso pode levar à formação de grandes dilatações na parede dos vasos sanguíneos (denominadas aneurismas), que podem se romper e causar morte súbita.
Cães expostos a água doce parada e aquecida têm maior probabilidade de entrar em contato com zoósporos infecciosos e podem apresentar risco aumentado tanto para pitiose quanto para lagenidiose. Relatos de animais infectados sem histórico conhecido de proximidade com água sugerem que os animais podem ser infectados pelo contato com esporos resistentes que se formam em solo úmido e na grama.
O diagnóstico da lagenidiose e da pitiose é feito com exames laboratoriais, incluindo culturas e exames de sangue. O tratamento de escolha para a pitiose e a lagenidiose tem sido a cirurgia agressiva para remoção do tecido infectado, mas a doença frequentemente já é extensa no momento do diagnóstico, o que impede a remoção completa. Sempre que possível, a amputação completa dos membros afetados pode ser curativa. O veterinário pode recomendar uma cirurgia seguida de tratamento com medicamentos antifúngicos. Aproximadamente 20% dos cães respondem ao tratamento antifúngico de longo prazo. Para a maioria das infecções, o prognóstico é reservado a desfavorável, embora tenha havido avanços no tratamento. Em alguns cães, uma vacina terapêutica (administrada para tratar a doença, e não para preveni-la) tem auxiliado na cura do quadro clínico.
Consulte também informações profissionais referentes à oomicose
Feo-hifomicose
A feo-hifomicose é um termo geral utilizado para infecções causadas por diversos fungos da família Dematiaceae. Este tipo de infecção fúngica é incomum em cães. Os fungos conhecidos por causar feo-hifomicose foram isolados de matéria vegetal em decomposição, água e solo em todo o mundo.
A infecção pode resultar da implantação de fungos no tecido no local de uma lesão. Os sinais de infecção são incomuns e quase invariavelmente ocorrem em animais doentes ou com o sistema imunológico comprometido. Os sinais mais comuns incluem nódulos cutâneos ulcerados e massas nasais ou paranasais. Massas ou nódulos de crescimento lento sob a pele são observados na cabeça, nos revestimentos das passagens nasais, nos membros e no tórax. Na maioria dos casos, a infecção limita-se à pele e aos tecidos subcutâneos. O diagnóstico é feito através da identificação do fungo em amostras de tecido ou fluidos.
A feo-hifomicose geralmente não responde muito bem ao tratamento. A remoção cirúrgica da lesão, seguida de medicamentos antifúngicos, pode ser uma cura. O tratamento com medicamentos antifúngicos pode ser considerado nos casos em que a cirurgia não é possível. Em cães em tratamento com medicamentos imunossupressores, o prognóstico pode ser melhor se esses medicamentos puderem ser suspensos.
Consulte também informações profissionais referentes à feo-hifomicose
Rinosporidiose
A rinosporidiose é uma infecção crônica, não fatal, que acomete principalmente o revestimento das passagens nasais e, ocasionalmente, a pele. É causada pelo fungo Rhinosporidium seeberi. Incomum na América do Norte, é visto com mais frequência na Índia, África e América do Sul.
A infecção é caracterizada por formações semelhantes a pólipos, que podem ser macias, rosadas, friáveis, lobuladas, com superfícies irregulares, e suficientemente grandes para obstruir ou até fechar as passagens nasais. As lesões cutâneas podem ser únicas ou múltiplas, fixadas em uma base ou ter uma conexão semelhante a um caule.
O diagnóstico é feito através da identificação do fungo no tecido afetado. A remoção cirúrgica das lesões é considerada o tratamento padrão, porém a recorrência é comum.
Consulte também informações profissionais referentes à rinosporidiose
Esporotricose
A esporotricose é uma doença esporádica e crônica causada por Sporothrix schenckii. O organismo é encontrado em todo o mundo no solo, na vegetação e na madeira. Nos Estados Unidos, o S. schenckii é encontrado mais comumente em regiões costeiras e em vales fluviais. A infecção geralmente ocorre quando o organismo entra no corpo por meio de feridas na pele, após contato com plantas ou solo, ou por objetos perfurantes, como um galho pontiagudo. A transmissão da doença de animais para seres humanos pode ocorrer.
A infecção pode permanecer localizada no local de entrada (envolvendo apenas a pele) ou pode se disseminar para os linfonodos próximos. Embora a doença generalizada não seja observada inicialmente, a enfermidade crônica pode resultar em febre, apatia e depressão. Raramente, infecções não tratadas ou tratadas de forma inadequada podem se disseminar pela corrente sanguínea ou pelos tecidos a partir do local inicial de inoculação, alcançando os ossos, os pulmões, o fígado, o baço, os testículos, o trato gastrointestinal ou o sistema nervoso central. Esta forma disseminada de esporotricose pode ser fatal.
Normalmente, são necessárias culturas para diagnosticar a doença em cães. O tratamento prolongado com medicamentos antifúngicos (mantido por 3 a 4 semanas além da aparente cura clínica) geralmente é recomendado. Como a esporotricose pode ser transmitida do seu animal de estimação para humanos, medidas rigorosas de higiene devem ser adotadas ao manipular animais com suspeita ou diagnóstico confirmado de esporotricose. Se o seu animal de estimação for diagnosticado com esporotricose, certifique-se de consultar o veterinário sobre as precauções que você e todos os membros da sua família devem adotar enquanto o animal estiver doente.
Consulte também informações profissionais referentes à esporotricose
Para obter mais informações
Consulte também o conteúdo profissional referente a infecções fúngicas.