VERSÃO PARA DONOS DE ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO

Carrapatos em cães

PorKaren A. Moriello, DVM, DACVD, Department of Medical Sciences, School of Veterinary Medicine, University of Wisconsin-Madison
Revisado/Corrigido jun. 2018 | Modificado set. 2024
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Os carrapatos são parasitas sugadores de sangue que se fixam a animais e pessoas. Uma vez fixados a um hospedeiro, os carrapatos se alimentam vorazmente. Ao se alimentarem, os carrapatos podem transmitir um grande número de doenças, como febre maculosa das Montanhas Rochosas, ehrlichiose, febre Q e doença de Lyme. Os carrapatos também liberam toxinas que podem prejudicar seus hospedeiros. Feridas na pele causadas por carrapatos podem levar a infecções bacterianas secundárias e bicheira (miíase por larvas screwworm). Infestações graves por carrapatos podem levar à anemia e à morte.

Tecnicamente, os carrapatos não são insetos. Eles são aracnídeos e estão relacionados a aranhas e ácaros. Existem inúmeras espécies de carrapatos pertencentes a três famílias biológicas. A família Ixodidae (comumente conhecida como carrapatos “duros”) tem mais de 650 espécies, enquanto a segunda maior família, a Argasidae (carrapatos “moles”), tem cerca de 185 espécies em quatro gêneros (Argas, Carios, Ornithodoros e Otobius). Notavelmente, muitos carrapatos duros passam mais de 90% de sua vida fora do hospedeiro. Os carrapatos têm quatro estágios de vida: ovo, larva, ninfa e adulto.

Os carrapatos podem ser encontrados em todo o mundo. Alguns carrapatos parasitam animais específicos, enquanto outras espécies podem parasitar diversas espécies, incluindo seres humanos. O comportamento de sucção de sangue varia conforme a espécie. Os carrapatos podem sobreviver de vários meses a vários anos sem se alimentar, se as condições ambientais permitirem.

A maioria das espécies de carrapatos tem uma área de alimentação preferida no hospedeiro, embora em infestações densas os carrapatos possam se fixar em qualquer lugar onde encontrem um local para se alimentar. Alguns carrapatos se alimentam principalmente na cabeça, no pescoço, nos ombros e na região pubiana. Em outras espécies, os locais preferidos podem ser as orelhas, perto do ânus e sob a cauda ou nas fossas nasais.

O sinal definitivo de infestação por carrapatos é a presença de um carrapato no animal. O contato direto com carrapatos frequentemente resulta em infestação por esses parasitas. Animais que passam tempo ao ar livre, especialmente em áreas selvagens, são afetados com mais frequência. Assim, entre os cães, as raças de caça ou os cães que vagueiam livremente são os mais propensos à infestação, embora todo cão que passe algum tempo ao ar livre possa ser infestado por carrapatos.

Otobius megnini é uma espécie de carrapato que consegue se esconder de forma excepcionalmente eficaz. Esses carrapatos preferem se fixar nas orelhas de seus hospedeiros e muitas vezes passam despercebidos pelos responsáveis por animais de estimação. Esses carrapatos são encontrados em áreas com baixo índice de chuva no oeste dos EUA, no México e no oeste do Canadá. Cães e seres humanos podem sofrer irritação grave devido a infestações no canal auditivo. As toxinas desses carrapatos podem causar paralisia. Foram relatadas infecções secundárias por bicheira (larvas screwworm). Os carrapatos da espécie Otobius megnini podem transmitir febre Q, tularemia, febre do carrapato do Colorado e febre maculosa das Montanhas Rochosas.

O diagnóstico é feito pela aparência de marcas de picadas de carrapatos no cão ou pela presença do parasita. Os carrapatos que estão no animal há pouco tempo (de uma hora a alguns dias) parecem achatados. Os carrapatos que estão no animal há dias parecem muito mais arredondados devido ao sangue que consumiram.

Carrapatos ingurgitados

Os carrapatos devem ser removidos o mais rápido possível para minimizar o risco de doenças e danos. Para isso, use uma pinça para segurar cuidadosamente o carrapato próximo à pele e puxe suavemente. Nunca tente remover um carrapato com as mãos, pois algumas doenças transmitidas por carrapatos (por exemplo, febre maculosa das Montanhas Rochosas) podem ser transmitidas imediatamente através de feridas na pele ou do contato com membranas mucosas. O uso de fósforos quentes para remover carrapatos também deve ser evitado. Cães infestados podem ser tratados com inseticidas anticarrapatos que matam as fases de larva, ninfa e adulto fixadas no animal. Podem ser administrados como soluções spot-on (que são aplicadas nas costas e se disseminam rapidamente por toda a superfície do corpo), sprays e pós. É necessário ter cuidado ao selecionar o produto anticarrapatos correto. Entre em contato com seu veterinário para obter uma recomendação do melhor produto para controlar carrapatos no seu animal de estimação. Alguns dos produtos administrados mensalmente para o controle de pulgas também são eficazes no controle de carrapatos. Certifique-se de informar o veterinário sobre todos os outros animais de estimação que você tenha em casa, pois isso fará diferença na recomendação.

Se seu cão estiver gravemente infestado por carrapatos, você deve levá-lo imediatamente a um veterinário para a remoção dos carrapatos. Infestações intensas não só danificam severamente a pele, mas também aumentam o risco de anemia, paralisia ou outras complicações é alta. Seu veterinário está em melhor posição para oferecer os cuidados necessários a um animal gravemente infestado. É provável que esses animais precisem ficar internados na clínica.

Mesmo que seu animal de estimação esteja com apenas alguns carrapatos, você deve levá-lo ao veterinário para avaliar alguma das muitas doenças disseminadas por esses parasitas. Monitore o(s) local(is) de onde você removeu os carrapatos. Se uma picada de carrapato ficar vermelha ou inchada, é indicada uma visita imediata ao veterinário.

Manter os animais longe de áreas propensas a carrapatos é a medida mais eficaz que você pode adotar para controlar a exposição. A maioria dos carrapatos vive em micro-hábitats específicos, como grama alta ou a margem entre áreas arborizadas e gramados. A destruição desses micro-hábitats reduz o número de carrapatos. A remoção de grama alta e de ervas daninhas, além de podas na vegetação, pode ajudar a proteger seu animal. O tratamento da vegetação com inseticidas pode reduzir ligeiramente o risco de carrapatos. No entanto, não é recomendado para uso generalizado devido à poluição ambiental e ao custo do tratamento de grandes áreas.

Para obter mais informações

Consulte também o conteúdo profissional sobre carrapatos.