VERSÃO PARA PROFISSIONAIS DE SAÚDE

Considerações gerais sobre doenças respiratórias dos suínos

PorScott A. Dee, DVM, MS, PhD, DACVM, Pipestone Veterinary Services
Revisado/Corrigido set. 2021 | Modificado set. 2024
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As doenças respiratórias dos suínos podem ser classificadas em duas grandes categorias, com base na extensão e na duração da doença manifesta: as que afetam um grande número de suínos e podem ser graves, porém de duração limitada, e as que persistem em um grande número de suínos por períodos indefinidos. As doenças da primeira categoria podem ser onerosas, mas as perdas são limitadas, e não contínuas. Incluem a gripe suína, a peste suína clássica, as formas pneumônicas da pseudorraiva, a doença associada ao circovírus suíno e a síndrome reprodutiva e respiratória suína (PRRS). Os vírus causais podem persistir no rebanho, mas os surtos de doença manifesta tendem a ser autolimitantes.

As síndromes mais importantes da segunda categoria são a pneumonia micoplásmica e a pleuropneumonia. A rinite atrófica, antes considerada uma importante causa de doença respiratória em suínos, apresentou declínio substancial como resultado de programas de erradicação. Infecções por Haemophilus parasuis podem representar um problema em alguns rebanhos, particularmente naqueles infectados pelo vírus da PRRS. Níveis moderados de rinite atrófica causados exclusivamente por Bordetella bronchiseptica podem não ser muito significativos; entretanto, quando associados à infecção por cepas toxigênicas de Pasteurella spp., constituem uma importante causa de perdas econômicas, em decorrência da redução da taxa de crescimento e da pior conversão alimentar em suínos jovens. A pneumonia enzoótica, quando causada apenas por Mycoplasma, é de pouca relevância; entretanto, quando associada a uma infecção secundária, por exemplo, por Pasteurella multocida, a condição resultante pode ser grave. O Actinobacillus pleuropneumoniae pode estar associado a perdas consideráveis em alguns rebanhos.

A gravidade e a importância econômica das doenças da segunda categoria também estão relacionadas à densidade populacional e ao tipo e tamanho do rebanho. Embora a mortalidade geralmente seja baixa, os prejuízos econômicos decorrem de efeitos adversos e desiguais sobre a taxa de crescimento, da redução da eficiência alimentar e dos custos adicionais com medicamentos. Coinfecções virais, como cepas altamente virulentas da PRRS, podem aumentar consideravelmente as mortes e os custos. Por fim, deve-se enfatizar que os problemas de doenças respiratórias em suínos são mais comumente o resultado da ação de múltiplos agentes (coinfecção), e não de um único patógeno.

É possível estabelecer rebanhos livres das doenças da segunda categoria por meio de técnicas como a repopulação livre de patógenos específicos ou o desmame precoce segregado, bem como pela aquisição de suínos provenientes de rebanhos livres de pneumonia. Este último método é o menos oneroso; entretanto, devido à complexidade da etiologia das doenças da segunda categoria, todos os suínos devem ser adquiridos de uma única fonte.

Na ausência de filtração do ar, é difícil manter os rebanhos livres de doenças respiratórias. Aerossóis têm sido considerados possíveis fontes de entrada de patógenos em granjas sem exposição prévia a patógenos. Organismos como o Mycoplasma hyopneumoniae podem comprovadamente ser transportados até 9,2 km por meio de aerossóis, dependendo do clima, do terreno e da densidade de suínos na localidade.

A produção em múltiplos locais ou a adoção da política de “todos dentro/todos fora” (all-in/all-out), na qual todo o galpão ou espaço aéreo é esvaziado antes do repovoamento, pode minimizar de forma muito eficaz o efeito potencial da pneumonia crônica.