VERSÃO PARA DONOS DE ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO

Distúrbios reprodutivos em aves de estimação

PorTeresa L. Lightfoot, DVM, DABVP (Avian), Avian and Exotics Department, Florida Veterinary Specialists
Revisado/Corrigido jan. 2020 | Modificado set. 2024
v3224140_pt

Vários distúrbios reprodutivos podem ocorrer em aves de estimação. Alguns dos mais comuns são descritos a seguir.

Prolapso cloacal (prolapso da cloaca)

A cloaca é a câmara comum no final do trato intestinal, na qual desembocam os sistemas reprodutivo, gastrointestinal e urinário. O ventre é a abertura da cloaca pela qual as fezes (e os ovos, nas fêmeas) passam para o exterior Os lábios cloacais (abertura cloacal) controlam a abertura da cloaca e, portanto, a frequência com que uma ave elimina fezes. Tanto o revestimento da cloaca (em machos e fêmeas) quanto o oviduto (em fêmeas) podem se projetar anormalmente através d da abertura da cloaca para o exterior. O tecido em prolapso pode causar esforço crônico, obstruir a passagem de fezes e ovos, além de ressecar e necrosar. Fatores psicológicos e físicos podem contribuir para o prolapso de tecido, e as aves afetadas devem ser tratadas por um veterinário imediatamente.

Essa síndrome é extremamente comum em cacatuas-brancas e cacatuas-das-Molucas. A causa exata ainda não foi determinada, mas as aves que desenvolvem prolapso cloacal são frequentemente criadas à mão, tiveram desmame tardio e/ou continuaram a pedir comida, têm um forte vínculo com pelo menos uma pessoa (com sinais de relacionamento entre pai/mãe e filho ou entre parceiros) e têm tendência a reter as fezes na cloaca por períodos prolongados (por exemplo, durante a noite), em vez de defecar na gaiola. As cacatuas que vivem separadas dos humanos normalmente não apresentam esse problema de saúde. Embora existam inúmeros fatores que possam contribuir para o prolapso cloacal, acredita-se que tanto fatores emocionais (comumente relacionados a uma atração sexual inadequada da ave por uma pessoa) quanto o reforço inadvertido, por parte do tutor, do hábito da ave de reter as fezes na cloaca por períodos prolongados (causando estiramento e dilatação da abertura cloacal) desempenhem um papel.

Prolapso cloacal, cacatua

Se detectado e tratado precocemente, o problema pode ser corrigido com cirurgia e modificação comportamental. No entanto, a modificação comportamental costuma ser difícil para os donos, pois, de muitas maneiras, envolve romper o forte vínculo que eles têm com a ave. Se a ave ainda enxergar o dono como pai ou parceiro, ela continuará a se esforçar e o problema provavelmente voltará a ocorrer. Comportamentos que podem transmitir à ave uma mensagem sexual confusa e que devem ser evitados incluem acariciar o corpo da ave (exceto a cabeça), mantê-la muito próxima ao corpo em atitude de aconchego e oferecer alimentos quentes (como faria um companheiro de gaiola ao regurgitar alimento como parte do cortejo). Se o dono estiver realmente interessado em mudar o comportamento da ave, provavelmente será necessário o auxílio de um consultor comportamental ( consulte Where to Get Help).

Retenção ovular

A retenção ovular ocorre quando uma ave é incapaz de expelir um ovo do trato reprodutivo. É mais comum em aves fêmeas com sobrepeso que se exercitam pouco. Poedeiras crônicas podem desenvolver deficiência de cálcio, o que é um fator contribuinte frequentemente observado em aves com essa condição. Outras causas podem ser deficiência de vitamina A, doenças ou neoplasias do oviduto, hérnia da parede abdominal, ser poedeira primípara e fatores genéticos. Um ambiente inadequado e a falta de uma caixa-ninho podem ser fatores contribuintes para algumas aves. Calopsitas, periquitos e agapórnis são comumente afetados, mas papagaios maiores também podem sofrer de retenção de ovos.

Os sinais de retenção de ovos incluem a ave sentar-se no fundo da gaiola, apresentar fraqueza e letargia, fazer esforço para defecar, eliminar fezes com sangue, ter dificuldade para respirar (manifestada pelo movimento da cauda para cima e para baixo), parar abruptamente de botar ovos e apresentar abdômen visivelmente inchado.

O veterinário pode fazer um raio-X para determinar o tamanho e a posição do ovo e prescrever cálcio, fluidos subcutâneos, lubrificação para a cloaca e um ambiente quente e úmido para estimular a ave a expelir o ovo. Caso o ovo não seja expelido, talvez o veterinário precise sedar a ave para tentar extraí-lo manualmente pela cloaca ou anestesiá-la para remover o ovo do abdômen cirurgicamente.

Para obter mais informações

Confira também o conteúdo profissional sobre distúrbios reprodutivos em aves de estimação.