VERSÃO PARA DONOS DE ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO

Infestação por ácaros (sarna, acariose, crostas) em gatos

PorKaren A. Moriello, DVM, DACVD, Department of Medical Sciences, School of Veterinary Medicine, University of Wisconsin-Madison
Revisado/Corrigido ago. 2018 | Modificado set. 2024
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A sarna é causada por ácaros microscópicos que invadem a pele de animais saudáveis. Os ácaros causam irritação na pele, resultando em coceira, perda de pelos e inflamação. Todas as formas de sarna são altamente contagiosas. Os gatos são muito suscetíveis a vários tipos de sarna, incluindo sarna canina, sarna felina (sarna notoédrica), ácaros da orelha (sarna otodécica), caspa ambulante (queiletielose) e trombiculose. A demodicose não é considerada sarna, mas também é causada por ácaros.

Sarna canina (sarna sarcóptica)

A sarna canina (também chamada de sarna sarcóptica) é causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei var. canis. Embora a sarna canina ocorra mais frequentemente em cães, ela também pode ocorrer em gatos que entram em contato com cães infectados. Os ácaros são altamente contagiosos e também podem infestar pessoas e outros animais. Todo o ciclo de vida (17 a 21 dias) desses ácaros é passado no animal infestado. As fêmeas cavam túneis na pele para depositar os ovos. A sarna se dissemina facilmente entre os animais por contato. A transmissão indireta, como por meio da cama do animal infestada, é menos comum, mas pode ocorrer. O período de incubação varia de 10 dias a 8 semanas, dependendo da gravidade da infestação do animal, da parte do corpo afetada, do número de ácaros transmitidos e da saúde e higiene individual do animal.

Nem todos os animais apresentam sinais quando estão infestados com ácaros da sarna sarcóptica. No entanto, geralmente o animal apresenta coceira intensa que surge repentinamente. A coceira é provavelmente causada pela sensibilidade aos excrementos dos ácaros. Inicialmente, a pele infestada apresenta pequenas protuberâncias sólidas. Como o animal se coça ou se morde para aliviar a coceira, essas protuberâncias e a pele ao redor costumam ficar danificadas, causando feridas espessas e com crostas. Infecções secundárias por leveduras ou bactérias podem se desenvolver na pele danificada. Normalmente, as feridas aparecem primeiro no abdômen, no tórax, nas orelhas, nos cotovelos e nas pernas. Se a sarna não for diagnosticada e tratada, as feridas podem se disseminar por todo o corpo. Animais com sarna recorrente e de longa duração desenvolvem caspa oleosa (seborreia), espessamento grave da pele com rugas e formação de crostas, além de feridas com secreção e exsudação. Animais afetados de forma tão grave podem ficar emaciados e até mesmo morrer.

Sarna incógnita é um termo usado para descrever a sarna difícil de diagnosticar. Se um animal tem uma pelagem bem cuidada ou é banhado regularmente, os ácaros podem ser difíceis de encontrar, mesmo que o animal apresente sinais de infestação, como coceira. Os outros sinais típicos da sarna — crostas e escamas na pele — são removidos com cuidados regulares ou banhos.

Se houver suspeita de sarna, o veterinário fará um exame físico, com a coleta de raspados cutâneos e, possivelmente, uma amostra de fezes. Algumas clínicas também podem usar um exame de sangue para diagnosticar a sarna. Se os ácaros não forem encontrados, mas os sinais forem altamente sugestivos de sarna, um tratamento experimental é recomendado. Como a sarna pode se disseminar facilmente para os seres humanos, você deve pedir orientação ao veterinário sobre como evitar contrair sarna do seu animal de estimação.

O tratamento deve incluir todos os outros animais que estiveram em contato com o animal infestado. Pode ser necessário cortar o pelo. As crostas e a sujeira devem ser removidas com um xampu medicamentoso (antisseborreico) e a aplicação de um banho antiácaros. A calda sulfocálcica é altamente eficaz e segura para uso em animais jovens. Vários banhos podem ser necessários. Alternativamente, medicamentos por via oral ou tópicos também são eficazes. O tratamento para infecções secundárias também pode ser necessário.

Sarna felina (sarna notoédrica)

A infestação por ácaros Notoedres cati é uma doença cutânea rara e altamente contagiosa em gatos saudáveis. A aparência e o ciclo de vida do ácaro são muito semelhantes aos do ácaro da sarna sarcóptica (ver acima). A sarna é facilmente transmitida entre gatos por contato. A sarna notoédrica causa coceira intensa. Crostas na pele e queda de pelos aparecem primeiro nas orelhas, cabeça e pescoço, mas podem se disseminar por todo o corpo. Os veterinários diagnosticam a sarna notoédrica usando um microscópio para inspecionar raspagens da pele em busca de ácaros. O tratamento pode envolver terapias spot-on ou injetáveis, banhos de calda sulfocálcica com intervalos de 7 dias ou uma combinação dessas terapias.

Ácaros da orelha (sarna otodécica)

Os ácaros da orelha (sarna otodécica) são causados pelos ácaros Otodectes cynotis. Esses ácaros frequentemente infestam a orelha externa, causando inflamação do canal auditivo. Embora a sarna da orelha ocorra em cães, ela é especialmente comum em gatos. Os ácaros da orelha geralmente são encontrados nas profundezas do canal auditivo externo, mas às vezes podem ser vistos no corpo. O animal infestado balança a cabeça e coça a(s) orelha(s). A orelha externa pode ficar caída. A intensidade da coceira varia, mas pode ser grave. Em casos graves, a orelha externa pode ficar inflamada e produzir pus; também é possível que o tímpano se rompa. Gatos com ácaros da orelha devem ser tratados com um medicamento adequado nas orelhas ou para todo o corpo. Seu veterinário recomendará um plano de tratamento adequado que inclui medicamentos e instruções para limpeza das orelhas. Animais que têm contato com gatos infestados também devem ser tratados.

Ácaros da sarna da orelha, gato

Caspa ambulante (queiletielose)

Os ácaros Cheyletiella blakei são a causa mais comum de caspa ambulante em gatos. (A caspa que se vê “andando” é, na verdade, os ácaros se movendo pela pele do gato.) Os ácaros Cheyletiella são muito contagiosos, especialmente em gatis ou residências com vários animais de estimação. Seres humanos são frequentemente infestados por esse ácaro. Os ácaros que causam a caspa ambulante têm quatro pares de patas e grandes peças bucais em forma de gancho. Eles vivem na superfície da pele e passam todo o seu ciclo de vida de 3 semanas no hospedeiro. No entanto, os ácaros fêmeas podem viver até 10 dias fora do animal. Em áreas com muitas pulgas, esse tipo de sarna é raro, pois o uso regular de certos inseticidas para controlar infestações de pulgas tem o benefício adicional de, muitas vezes, controlar os ácaros.

A descamação da pele e a infestação ao longo das costas são sinais comuns da caspa ambulante. A coceira intensa é frequente entre gatos infestados, embora possa não haver coceira alguma. Gatos podem desenvolver crostas na pele e muitas protuberâncias pequenas ao longo das costas, chamadas de dermatite miliar. Alguns gatos podem não apresentar sinais de infestação, mas transportam os ácaros e os transmitem a outros animais de estimação e seres humanos.

Para diagnosticar a caspa ambulante, os veterinários utilizam testes laboratoriais (como raspagens cutâneas, uso de pente para pulgas ou testes com fita adesiva) para identificar a presença de ácaros ou ovos. Infelizmente, os ácaros e os ovos podem ser difíceis de encontrar. Se nenhum ácaro for identificado, mas ainda houver suspeita de infestação, seu veterinário pode prescrever um tratamento para ver se há melhora. Para o tratamento, seu veterinário pode prescrever um banho semanal com inseticida para eliminar os ácaros. Outras opções de tratamento incluem spot-ons, sprays, injeções e medicamentos orais. Não use inseticida em seu gato sem a aprovação do veterinário. Alguns inseticidas são tóxicos para gatos.

O tratamento pode durar de 6 a 8 semanas para eliminar todos os ácaros. Isso pode ser difícil em gatis ou em casas com vários gatos. Todos os animais em contato com um animal infestado também precisarão ser tratados. Além disso, é necessário tratar a casa para matar os ácaros que podem sobreviver em roupas de cama, tapetes e outras áreas.

Demodicose felina

A demodicose é causada pelos ácaros Demodex. Duas espécies de ácaros Demodex podem causar demodicose. Acredita-se que os ácaros Demodex cati sejam residentes normais da pele felina.O Demodex gatoi é menor e mais redondo que o Demodex cati. É comumente encontrado em gatos mais jovens e é contagioso.

Esses ácaros geralmente não incomodam seu hospedeiro, mas podem causar demodicose em gatos que adoecem por outra doença. A demodicose pode se limitar a uma ou várias áreas da cabeça e pescoço, onde causa queda de pelos, ou pode se disseminar por todo o corpo. Quando a demodicose é grave o suficiente para afetar todo o corpo, ela causa crostas e feridas cheias de líquido, além da perda de pelos. A demodicose em todo o corpo pode estar associada a outras doenças sistêmicas, como diabetes mellitus, infecção pelo vírus da leucemia felina, infecção pelo vírus da imunodeficiência felina ou câncer.

Em alguns casos de demodicose, o único sinal é a superprodução de cera no ouvido ( consulte Otitis Externa in Cats). A intensidade da coceira pode variar; D. gatoi é mais propenso a causar coceira intensa do que D. cati.

O seu veterinário diagnosticará a demodicose coletando e examinando raspagens superficiais e profundas da pele para detectar ácaros. No entanto, os ácaros podem ser muito difíceis de encontrar, e a resposta ao tratamento pode ser a única maneira de diagnosticar a infestação. Gatos com demodicose devem ser testados para micose, pois os dois quadros clínicos podem ocorrer simultaneamente e apresentar sinais semelhantes. Gatos com demodicose generalizada devem ser avaliados por um veterinário para verificar se há outro quadro clínico (como diabetes). A perspectiva de recuperação da demodicose em todo o corpo depende da saúde geral do gato. Alguns casos se resolvem sem tratamento. O tratamento com banhos de calda sulfocálcica uma vez por semana durante 4 a 5 semanas é geralmente seguro e eficaz. Gatos infestados costumam responder rapidamente ao tratamento.

Trombiculose

A trombiculose é um tipo de sarna causada pelo estágio larval parasitário de ácaros da família Trombiculidae (“chiggers”). Os adultos (“ácaros da colheita”) e as ninfas parecem aranhas muito pequenas e vivem em material em decomposição. Os gatos adquirem o estágio larval como parasitas quando se deitam no chão ou caminham em um habitat adequado. Em áreas temperadas, gatos e outros animais adquirem as larvas durante o verão e o outono. Em áreas mais quentes, a infestação ocorre durante todo o ano.

As minúsculas larvas se prendem ao hospedeiro, se alimentam por alguns dias e partem quando estão saciadas. Nesse momento, elas são facilmente identificadas como pequenos pontos ovais laranja-avermelhados que não se movem. Elas geralmente são encontradas agrupadas na cabeça, nas orelhas, nas patas ou na barriga. Os sinais incluem vermelhidão, inchaços, perda de pelo e crostas na pele. A coceira intensa, se presente, pode persistir mesmo depois que os parasitas deixarem o animal.

O diagnóstico é baseado no histórico e nos sinais. O veterinário vai querer excluir outras doenças de pele que causam coceira, como alergias. O diagnóstico é confirmado por um exame cuidadoso das áreas afetadas. Também podem ser examinadas amostras da pele ao microscópio para detectar a presença de larvas de ácaros.

O tratamento para gatos com trombiculose segue o padrão do tratamento geral para sarna. Os medicamentos para matar esses ácaros podem ser diferentes dos prescritos para outros tipos de ácaros. Siga cuidadosamente o programa de tratamento do seu veterinário. Se a coceira for grave ou prolongada, antibióticos ou outros medicamentos podem ser prescritos para controlar infecções secundárias em feridas causadas por arranhões e mordidas.

Muitas vezes, é difícil prevenir a reinfestação. A abordagem mais útil, se viável, consiste em manter os animais de estimação longe de áreas conhecidas por abrigarem ácaros. Você também deve evitar que seu gato entre em contato com outros animais que tenham ácaros.

Ácaros dos pelos (linxacariose)

Os ácaros dos pelos (Lynxacarus radovskyi) infestam gatos com bastante frequência, mas apenas em determinadas áreas (Austrália, Brasil, Havaí, Flórida, Carolina do Norte e Texas). Esses ácaros causam inflamação na pele, e os sinais incluem uma aparência de sal e pimenta da pelagem, perda de pelos e coceira. A intensidade da coceira varia entre os gatos. Os veterinários diagnosticam o ácaro com testes laboratoriais (como raspagens de pele ou testes com fita adesiva) ou identificando-o no pelo do gato. O tratamento pode incluir sprays, banhos semanais com calda sulfocálcica ou injeções. É possível, mas improvável, que pessoas contraiam ácaros dos pelos dos seus gatos.

Para obter mais informações

Consulte também o conteúdo profissional sobre sarna.