VERSÃO PARA DONOS DE ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO

Paralisia da perna em cães

PorThomas Schubert, DVM, DACVIM, DABVP, Small Animal Clinical Sciences, College of Veterinary Medicine, University of Florida
Revisado/Corrigido fev. 2018 | Modificado set. 2024
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A paralisia de um membro é geralmente devida a danos nos nervos espinhais periféricos. A paralisia de uma perna anterior geralmente está associada a lesões nas raízes nervosas do pescoço ou do ombro, a lesões no plexo braquial (rede de nervos localizada profundamente na axila) ou a lesões nos nervos radial, mediano, musculocutâneo ou ulnar do membro. A paralisia de uma perna posterior geralmente está associada a lesões nas raízes nervosas da parte inferior das costas ou do cóccix, lesões na rede de nervos localizada entre a medula espinhal e a perna posterior (plexo lombossacral) ou lesões nos nervos femoral, ciático, peroneal ou tibial da perna. Traumatismo é a causa mais comum de paralisia repentina nos membros.

Paralisia de perna, cão

Para identificar a localização da lesão, é preciso avaliar a postura e a marcha, os reflexos espinhais, a sensibilidade à dor e a condição dos músculos do membro afetado. Quanto mais próxima do músculo estiver a lesão do nervo, melhor será o prognóstico. Por isso, é importante determinar a sua localização exata. A capacidade ou incapacidade de flexionar a articulação e suportar peso na perna, bem como a presença ou ausência de dor e reflexos em vários locais da perna, dependem do local da lesão. Em poucos dias, os músculos definham e perdem massa devido à perda da conexão nervosa. A estimulação elétrica do nervo pode ser usada para determinar a localização da lesão e se o nervo está parcialmente intacto. Os nervos regeneram-se lentamente (cerca de 1 polegada por mês), e a recuperação total da função depende da condição da bainha do nervo e da distância entre a lesão e o músculo onde o nervo termina. Algumas lesões nervosas podem ser resolvidas após várias semanas ou meses; no entanto, quando ocorre uma ruptura total do nervo, é necessária uma reconexão cirúrgica para que haja regeneração.

Se uma condição ocular anormal conhecida como síndrome de Horner (pupila pequena, pálpebra parcialmente fechada e terceira pálpebra elevada) estiver presente no mesmo lado da perna dianteira paralisada, significa que as raízes nervosas provavelmente foram rompidas e as chances de recuperação são mínimas. Se a síndrome de Horner não estiver presente com a paralisia da perna dianteira, o prognóstico pode ser melhor.

A aplicação de calor, massagem e alongamento dos tendões devem ser feitos conforme orientação do veterinário para manter os músculos, tendões e articulações da perna paralisada saudáveis enquanto o nervo se regenera. Uma bandagem leve, não apertada, pode evitar danos causados pelo arrastar da pata. Se a perna arrastar no chão, ela pode ser imobilizada com uma tipoia ou amputada para evitar danos à pata. Cães com três pernas geralmente têm uma boa qualidade de vida.

Não há terapia específica, mas terapia a laser e acupuntura podem ajudar o nervo a se regenerar. Medicamentos anti-inflamatórios também podem ajudar caso haja inchaço. Se o movimento voluntário, a sensibilidade à dor e os reflexos espinhais melhorarem ao longo de 1 a 2 meses, as perspectivas de recuperação são boas. Um colar elizabetano pode ser necessário para evitar que o cão mastigue a própria perna. Se houver suspeita de lesão nervosa permanente e o animal estiver mordendo a pata, a amputação pode ser a melhor opção. No entanto, o ideal é aguardar de três a seis meses para verificar se ocorre alguma regeneração antes de realizar a amputação.

Paralisia causada por tumor

Tumores que afetam os nervos podem causar claudicação crônica, frequentemente dolorosa, ou fraqueza em uma perna dianteira ou traseira que piora com o tempo. Os tumores podem ser diagnosticados por TC ou RM. A remoção cirúrgica ou a biópsia do tumor são necessárias para fazer o diagnóstico e saber a probabilidade de recuperação.

Tumores na bainha do nervo são comuns em cães e podem afetar múltiplos nervos. É difícil removê-los completamente, mesmo com a amputação do membro. O prognóstico costuma ser ruim, mas a radioterapia pode ajudar.

Para obter mais informações

Consulte também o conteúdo profissional sobre paralisia dos membros.