VERSÃO PARA DONOS DE ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO

Raiva em gatos

PorThomas Schubert, DVM, DACVIM, DABVP, Small Animal Clinical Sciences, College of Veterinary Medicine, University of Florida
Revisado/Corrigido ago. 2018 | Modificado set. 2024
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A raiva é uma infecção viral aguda do sistema nervoso que afeta principalmente carnívoros e morcegos, embora possa afetar qualquer mamífero. É causada pelo vírus da raiva. Quando os sinais aparecem, é fatal. A raiva é encontrada em todo o mundo, embora alguns países sejam declarados livres da doença por causa de padrões de eliminação bem-sucedidos. Ilhas que têm um programa de quarentena rigoroso em vigor muitas vezes são livres da raiva. Na América do Norte e na Europa, a raiva foi praticamente eliminada em animais domésticos, embora ainda afete a vida silvestre.

Não há registros de transmissão da raiva entre gatos, e não se conhece nenhuma cepa felina do vírus da raiva. No entanto, gatos são os animais domésticos com maior número de casos notificados de raiva nos Estados Unidos. O vírus está presente na saliva de gatos com raiva, e pessoas já foram infectadas após serem mordidas por um gato com raiva. Casos relatados em gatos domésticos superaram os casos em cães nos Estados Unidos em todos os anos desde 1990.

A transmissão ocorre quase sempre pela mordida de um animal infectado, quando a saliva contendo o vírus da raiva é introduzida no corpo. O vírus pode permanecer no corpo por semanas ou meses antes que os sinais se desenvolvam.

Sinais e diagnóstico

A maioria dos animais com raiva apresenta sinais de perturbação no sistema nervoso central. Os indicadores mais confiáveis são mudanças comportamentais repentinas e graves e paralisia inexplicável que se agrava com o tempo. As mudanças comportamentais podem incluir perda repentina de apetite, sinais de apreensão ou nervosismo, irritabilidade e hiperexcitabilidade. O animal pode se isolar ou um animal que normalmente é hostil pode tornar-se amigável. Pode apresentar agressividade atípica; um animal normalmente calmo e obediente pode se tornar feroz. Normalmente, animais silvestres podem perder o medo das pessoas. Animais que são normalmente noturnos podem ser vistos vagando durante o dia.

A forma furiosa da raiva é a síndrome clássica do “cachorro louco”, embora seja observada em todas as espécies. O animal fica irritável e pode usar os dentes e as garras de forma agressiva e violenta à menor provocação. A postura é de alerta e ansiedade, com pupilas dilatadas. Ruídos podem provocar ataques. Esses animais perdem o medo e a cautela em relação a outros animais. Gatos com raiva podem atacar repentinamente, mordendo e arranhando violentamente. A doença pode evoluir com convulsões e falta de coordenação muscular. A morte é causada por paralisia progressiva.

A forma paralítica (ou “muda”) da raiva é geralmente observada com paralisia dos músculos da garganta e da mandíbula, muitas vezes com salivação excessiva e incapacidade de engolir. Os animais afetados também podem perder o controle muscular. Esses animais podem não ser agressivos e raramente tentam morder. As pessoas podem ser infectadas por essa forma ao examinar a boca do gato ou ao administrar medicamentos com as mãos desprotegidas. Novamente, a paralisia progride por todo o corpo e a morte ocorre em poucas horas.

O diagnóstico é difícil, especialmente em áreas onde a raiva não é comum. Os estágios iniciais da raiva podem ser facilmente confundidos com outras doenças ou com tendências agressivas normais. O diagnóstico da raiva deve ser confirmado com exames laboratoriais. O animal deve ser submetido à eutanásia e os restos mortais, enviados para análise laboratorial.

Controle da raiva

A Organização Mundial da Saúde (OMS) possui diretrizes rígidas para controlar a raiva na população canina. Essas diretrizes (que também se aplicam a gatos) incluem a notificação de casos suspeitos, a eutanásia de animais com sinais da doença e daqueles mordidos por animais suspeitos de raiva, leis de uso de coleira e quarentena para reduzir o contato entre animais suscetíveis, programas de imunização com reforços contínuos, controle de animais de rua e programas de registro de animais de estimação.

Como os gatos são os animais domésticos com maior número de casos notificados de raiva nos Estados Unidos, a vacinação de gatos contra o vírus da raiva é fundamental.

Manejo de casos suspeitos de raiva

Em áreas onde se sabe que a raiva existe na população silvestre (incluindo morcegos), um animal mordido ou exposto de outra forma por um mamífero carnívoro silvestre ou um morcego que não esteja disponível para testes deve ser considerado como tendo sido exposto à raiva. A Associação Nacional de Veterinários de Saúde Pública (National Association of State Public Health Veterinarians) recomenda que qualquer gato não vacinado exposto à raiva seja sacrificado imediatamente. Se o proprietário não estiver disposto a fazer isso, o animal deve ser colocado em isolamento rigoroso, sem contato com humanos ou animais, por 6 meses e ser vacinado contra a raiva 1 mês antes de ser liberado. Se um animal exposto estiver vacinado, ele deve ser revacinado imediatamente e observado atentamente por 45 dias.

Risco de transmissão da raiva para pessoas

Quando uma pessoa é exposta a um animal suspeito de raiva, o risco de transmissão da raiva deve ser avaliado cuidadosamente. Carnívoros silvestres e morcegos apresentam um risco considerável nas regiões em que a doença está presente, independentemente de ter sido observado ou não um comportamento anormal.

Qualquer cão, gato ou furão doméstico saudável, vacinado ou não, que morder uma pessoa ou depositar saliva em uma ferida recente, deve ser confinado por 10 dias para observação. Se o animal desenvolver sinais nesses 10 dias, deve ser imediatamente submetido a eutanásia e exame laboratorial. Se o animal responsável pela exposição for de rua ou indesejado, ele deve ser submetido a eutanásia e exame laboratorial imediatamente.

A vacinação pré-exposição é fortemente recomendada para todas as pessoas em grupos de alto risco, como equipes veterinárias, agentes de controle animal, trabalhadores de laboratórios de diagnóstico e de raiva, bem como viajantes que trabalham em países onde a raiva canina é comum. No entanto, a vacinação pré-exposição por si só não é suficiente em caso de exposição posterior ao vírus da raiva e deve ser complementada com doses adicionais da vacina. Para pessoas saudáveis e não vacinadas mordidas por um animal com raiva, o tratamento consiste em cuidados com a ferida, injeção local de anticorpos contra a raiva na ferida e várias doses da vacina durante um período de 2 semanas. Quando feito oportuna e adequadamente, o tratamento pós-exposição moderno praticamente garante a sobrevivência humana.

Para obter mais informações

Consulte também conteúdo profissional sobre a raiva.