Em alguns casos, os seres humanos podem ser protegidos de zoonoses eliminando-se o patógeno de seus reservatórios animais ou reduzindo-se sua prevalência. Em alguns países, programas de controle de doenças em animais de produção e aves, como a brucelose, a tuberculose bovina e a salmonelose, contribuíram muito para a diminuição da exposição humana.
Outras medidas de proteção direcionadas aos animais podem incluir vacinação (por exemplo, contra a raiva), tratamento de casos clínicos, testes periódicos de parasitas entéricos ou outros patógenos e outras medidas de controle de doenças. Medidas de controle de artrópodes, como programas de controle de pulgas e carrapatos em cães e gatos, podem ser valiosas; no entanto, alguns programas de controle de vetores a longo prazo (por exemplo, direcionados a doenças em animais de produção) não são práticos nem sustentáveis. Existem vacinas contra algumas doenças disponíveis para humanos.
As zoonoses transmitidas por alimentos podem ser interrompidas por meio da adoção de boas práticas de saneamento e higiene durante o preparo, a eliminação da contaminação cruzada, o cozimento dos alimentos de origem animal (incluindo invertebrados como moluscos e caramujos) a temperaturas seguras e uma boa higienização dos vegetais pouco antes do consumo. Os príons não podem ser destruídos pelo cozimento; a inspeção da carne e a eliminação do patógeno dos animais continuam sendo as únicas maneiras de diminuir os riscos desses agentes.
Os procedimentos modernos de tratamento de água eliminam a maioria das zoonoses transmitidas pela água. Na ausência dessas instalações, a água potável deve ser fervida, filtrada ou tratada de outra forma para remover os patógenos. A ingestão acidental de água de lagos ou rios deve ser evitada. A contaminação da água de irrigação utilizada na agricultura tornou-se uma preocupação crescente com o aumento de patógenos como Escherichia coli entero-hemorrágica (por exemplo, E. coli O157:H7). Medidas como a compostagem do estrume de animais de produção antes de espalhá-lo nos campos podem diminuir os riscos provenientes dessa fonte. No entanto, os procedimentos pós-colheita para eliminar a contaminação também são cruciais.
Algumas doenças adquiridas no ambiente são comuns a humanos e animais (por exemplo, helmintos transmitidos pelo solo). Medidas para eliminar o contato da pele com o solo são úteis, como usar luvas ao cuidar do jardim e evitar a inalação de poeira.
Durante o contato com animais aparentemente saudáveis, uma boa higiene (incluindo a lavagem das mãos) é uma importante medida preventiva. É particularmente importante lavar as mãos antes de comer ou de qualquer outro contato das mãos com a boca. Em feiras, zoológicos interativos ou outros ambientes onde o público pode entrar em contato com animais, instalações para lavagem das mãos devem ser disponibilizadas e o consumo de alimentos e bebidas nas áreas dos animais deve ser desencorajado. Crianças menores de 5 anos devem ser supervisionadas de perto, pois seu sistema imunológico é mais vulnerável a patógenos, elas são menos propensas a seguir precauções sanitárias e mais propensas a se envolver em comportamentos de risco, como comer terra. Existem programas detalhados de controle de zoonoses publicados para diversos tipos de instalações.
As medidas de proteção em hospitais veterinários incluem precauções de barreira (incluindo luvas, vestuário de proteção e outros equipamentos de proteção individual), boa higiene, saneamento e desinfecção, descarte adequado de materiais infecciosos e uso de unidades de isolamento para animais com zoonoses conhecidas.
Prevenção de zoonoses em populações imunocomprometidas
O aconselhamento de tutores imunocomprometidos deve encontrar um equilíbrio entre a conscientização dos riscos de zoonoses e o reconhecimento do vínculo humano-animal e dos benefícios psicológicos da companhia animal. Se a pessoa optar por ter um animal de estimação, o veterinário pode ajudá-la a tornar essa decisão a mais segura possível. Os tópicos a serem discutidos incluem os riscos de alimentar o animal com carne crua, peixe cru ou ovos crus; a prevenção da ingestão de lixo e da coprofagia em cães; a importância do controle de pulgas e carrapatos; e os perigos de permitir que gatos e cães cacem.
Não se deve permitir que o animal de estimação beba água não potável, incluindo água de lagos, riachos e vasos sanitários. As garras devem ser mantidas curtas para diminuir o risco de arranhões, e brincadeiras bruscas que podem incentivar mordidas ou arranhões devem ser evitadas. A limpeza regular e completa da cama e da gaiola evita o acúmulo de detritos que podem abrigar microrganismos.
Os responsáveis por animais devem ser aconselhados a evitar contato direto com fezes, bem como praticar uma higiene impecável ao manusear o animal de estimação.
A caixa de areia deve ser limpa diariamente, de preferência por um membro da família que não seja imunocomprometido, para diminuir o risco de toxoplasmose. Da mesma forma, a limpeza de aquários gera risco de exposição à Mycobacterium marinum e deve ser feita por uma pessoa com um sistema imunológico saudável.
Consultas veterinárias regulares, com exames periódicos para detecção de parasitas intestinais e outros patógenos zoonóticos, são essenciais para todos os animais de estimação. Se o animal de estimação apresentar diarreia ou outras doenças, deve ser levado imediatamente para diagnóstico.
O animal de estimação recém-chegado deve ser examinado por um veterinário para garantir que não seja portador de parasitas intestinais, ácaros, dermatófitos e outros patógenos zoonóticos. Um cão ou gato adulto saudável e tranquilo, com histórico conhecido e sem exposição recente a ambientes com altas concentrações de patógenos, é preferível a um filhote.
Pessoas imunocomprometidas devem evitar contato com répteis, pintinhos e patinhos, pois eles podem excretar Salmonella. Alguns anfíbios e mamíferos exóticos de estimação também podem ser portadores de Salmonella.
É particularmente importante evitar animais de rua, animais selvagens, primatas não humanos e animais com diarreia ou qualquer outra doença. Também é prudente manter distância de animais em feiras, exposições, fazendas, escolas e locais semelhantes e tomar outras precauções caso não seja possível evitar o contato.
Os veterinários têm papel vital na educação de tutores imunocomprometidos sobre os riscos de doenças zoonóticas, bem como as medidas que podem ser tomadas para reduzi-los. Materiais educativos, como placas e folhetos, podem incentivar os tutores a pedir conselhos. Esses materiais também podem ser usados para alertar mulheres grávidas sobre os riscos de toxoplasmose e outros patógenos zoonóticos, e para lembrar os responsáveis por animais que o veterinário pode ajudá-los na escolha segura de um animal de estimação e na prevenção de zoonoses em lares com crianças. Existem também publicações com diretrizes sobre prevenção de zoonoses para animais de terapia utilizados em hospitais e casas de repouso.
Pontos-chave
As medidas preventivas direcionadas ao hospedeiro animal variam de acordo com a doença e podem incluir vacinação, programas de erradicação, triagem do agente causador (por exemplo, parasitas entéricos) e tratamento imediato da doença.
Programas de controle de vetores podem ajudar a interromper a transmissão de algumas doenças.
Medidas de segurança alimentar, higiene e fornecimento de água potável segura diminuem o risco de zoonoses transmitidas por alimentos e pela água.
Boas condições de saneamento e higiene diminuem o risco de infecção durante a interação com animais ou seus ambientes.
Indivíduos imunocomprometidos devem ser aconselhados sobre os riscos de doenças zoonóticas comuns e informados sobre medidas preventivas gerais.
Para obter mais informações
Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation (CSIRO)
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